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Telmo Pinão representa Portugal nos Paralímpicos de Tóquio com prótese do ISEC

O atleta vai a Tóquio para tentar cumprir três provas de ciclismo: a “prova de pista”, os “três mil metros de perseguição” e o “contra-relógio na estrada”. O objetivo é assegurar a sua participação nos próximos Jogos Paralímpicos, em Paris.A prótese de Telmo Pinão foi otimizada pelo Instituto Superior de Engenharia de Coimbra: “Esperamos que os resultados sejam bons e que se divirta!”, dizem os investigadores do ISEC.

O paraciclista Telmo Pinão irá participar nos próximos Jogos Paralímpicos – quedecorrem em Tóquio de24 de agosto a 5 de setembro – com recurso a um dispositivo biomecânico elaborado por alunos, docentes e investigadores do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra – ISEC.

“Se não fosse esta prótese provavelmente deixaria de ser atleta de alta competição”, afirma Telmo Pinão.

Depois de em junho deste ano se ter sagrado vice-campeão europeu de fundo em paraciclismo, no respetivo Campeonato da Europa, na Áustria – onde conquistou também a medalha de prata no contra-relógio de Classe C2 – Telmo Pinão irá agora “estagiar em altitude” e preparar-se para embarcar no dia 14 de agosto.

Nessa altura, em Tóquio, o atleta quer tentar realizar três provas: “Tenho como objetivos a prova de pista, os três mil metros de perseguição e o contra-relógio na estrada.Como tenho confiança neste novo dispositivo,o meu objetivo é, no mínimo, trazer o diploma que me assegurará a ida ao Paris 2024”.

Telmo Pinão é um dos pioneiros do paraciclismo em Portugal.

Foi amputado de parte da perna esquerda em 2002 e, em 2008, comprou uma bicicleta mesmo sem ter a certeza que conseguiria pedalar.

A sua dedicação e o gosto pela modalidade levaram-no depois a apostar no ciclismo.

Em 2010 a equipa médica que o acompanhava no Hospital dos Covões, em Coimbra, colocou-lhe a possibilidade de colaborar com investigadores e docentes do Departamento de Engenharia Mecânica do ISEC onde, desde o início, tudo foi projetado para que o atleta pudesse pedalar com ambas as pernas.

“O primeiro dispositivo já foi preparado com uma prótese para eu poder pedalar com as duas pernas”, recorda Temo Pinão.

Em 2012 sofreu com uma bactéria no joelho esquerdo, o da perna amputada, e teve de passar a pedalar só com uma perna.

Foi então desenvolvido um dispositivo de ancoragem no espigão da bicicleta, para apoio da perna amputada, que garantisse a estabilidade necessária na pedalada.

Desde então, os engenheiros do ISEC já desenvolveram“umas quatro ou cinco melhorias no dispositivo…Todos os anos trabalhamos coisas diferentes, inclusivamente com estudantes que estão a fazer teses de mestrado”.

Segundo o paraciclista, se não fosse todo esse trabalho no laboratório e na estrada não teria chegado ao desempenho que obteve com o dispositivo, nem aos resultados que alcançou em provas no estrangeiro.

“Sempre que o Telmo muda de bicicleta há uma nova etapa. Temos de ajustar os componentes de ancoragem, seguindo procedimentos de engenharia inversa, de modo a criar a adaptação à nova máquina. Tentamos sempre otimizar ao máximo as suas dimensões para que o dispositivo seja leve, com a preocupação de garantir a segurança do atleta”, explica o presidente do Departamento de Engenharia Mecânica do ISEC, Fernando Simões. “Ao longo de todos estes anos o apoio tem sido este: a otimização do conceito do dispositivo e dos seus componentes”.

Protocolo com a Federação Portuguesa de Ciclismo

O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra tem um protocolo de colaboração com a Federação Portuguesa de Ciclismo para apoiar atletas de alta competição, paralímpicos ou não.

O presidente do ISEC, Mário Velindro, realça a importância de colocar a engenharia ao serviço da sociedade: “Queremos demonstrar a mais-valia de interagir com a comunidade desportiva neste projeto em concreto, mas desejamos também estender mais parcerias a outros domínios, desportivos ou não”, afirma.

“Estamos a valorizar o ensino e a capacidade técnica de produzir componentes para uma atuação real. Estamos motivados para desenvolver soluções inovadoras com a indústria portuguesa e para colocá-las no mercado”.

Para os Jogos Paralímpicos, o ISEC desenvolveu e produziu nos seus laboratórios todos os componentes metálicos, em liga de alumínio de alta resistência, com a precisão a que este tipo de elementos obriga.

A empresa RC Fibre Components, em articulação com o atleta e com a equipa de investigação do ISEC, tem sido responsável pelo fabrico dos componentes em material compósito, essenciais para garantir a leveza do dispositivo.

“É, por isso, um trabalho em parceria”, explica Luis Roseiro, docente e coordenador do Laboratório de Biomecânica Aplicada do ISEC.

Vários estudantes de Engenharia Mecânica do ISEC têm participado ativamente em todo o processo, ficando associados ao desenvolvimento, funcionamento e produção da prótese para o atleta.

“Por um lado, os alunos envolveram-se e adquiriram competências em contextos e situações reais”, afirma Luis Roseiro.

“Por outro lado, fortalecemos a missão social da instituição: o ISEC está ao serviço deste e de outros atletas, desenvolvendo dispositivos como se fossem ‘fatos à medida’ para aqueles com quem trabalha”.

A otimização das peças para a participação de Telmo Pinão nos Jogos Paralímpicos é o mais recente episódio de uma cooperação com muitos anos.

“Maquinámos algumas novas peças para a sua ida a Tóquio porque queríamos dar-lhe garantias –quer pessoais, quer de equipamento – de que nada iria falhar”, afirma Pedro Ferreira, professor de Engenharia Mecânica no ISEC.

“Em Tóquio, o Telmo não terá de se preocupar com os dispositivos: estão afinados, otimizados e enquadrados em termos de esforço”, afirma o professor.

“Os resultados só dependerão dele – esperamos que sejam bons e que ele se divirta!”.

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