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Leucemia Linfocítica Crónica é a mais comum entre as leucemias (1)

4 de setembro | Dia Mundial da Leucemia

50% dos casos são diagnosticados após análises de rotina (2)Após o diagnóstico, a maioria dos doentes inicia um período de vigilância ativa, sem necessidade de tratamento (3).

Embora rara antes dos 60 anos (4), a Leucemia Linfocítica Crónica é a forma mais comum de leucemia nos adultos (1), representando cerca de 30% dos casos entre este grupo de doenças (3).

Por essa razão, no Dia Mundial da Leucemia, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) e a Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL) unem-se para dar destaque a esta doença, cujo diagnóstico surge, em 50% dos casos, após análises de rotina (2).

Entre esse momento e o início dos tratamentos, podem passar meses ou até mesmo anos (3) e, por isso, é fundamental uma vigilância ativa da doença, que, segundo Isabel Barbosa, Presidente da APLL, passa por “uma monitorização e avaliação hematológica mais regular”, mas também, acrescenta Manuel Abecasis, Presidente da APCL, por um “diálogo franco e transparente entre o doente e a equipa médica”, sendo esta “a melhor forma de permitir ao doente a participação na gestão da sua doença”.

Em dois terços dos casos de Leucemia Linfocítica Crónica, a vigilância ativa é a primeira abordagem à gestão da doença (5), na qual os doentes devem, então, desempenhar um papel ativo.

Contudo, para que o façam, é necessário, na opinião de Isabel Barbosa, que “tenham conhecimento sobre a sua doença e a sua possível evolução, que sejam informados de novos tratamentos e alertados para a necessidade de contactar a sua equipa de profissionais de saúde, em caso de alterações de saúde”.

Este aspeto é particularmente importante para os doentes mais idosos, que por causa do “menor conhecimento da doença, ficam muito ansiosos, principalmente por saberem que têm leucemia, mas não estão a fazer tratamento”.

Outros há que, “após as consultas com os profissionais de saúde, ficam mais tranquilos e procuram, nas Associações de doentes, falar com outros doentes”.

Com uma incidência ligeiramente maior nos homens (1), a Leucemia Linfocítica Crónica resulta de uma multiplicação descontrolada dos linfócitos, um tipo de glóbulos brancos (3), como explica Manuel Abecasis: “a LLC resulta de uma proliferação dos linfócitos adultos, em geral da linhagem B. Há uma população dessas células, a que se dá o nome de clone (dado que derivam todas da mesma célula inicial), que escapa aos mecanismos de controle da multiplicação celular e, por esse motivo, vai-se acumulando progressivamente no organismo”.

Entre 50% a 70% dos doentes com Leucemia Linfocítica Crónica não apresentam sintomas quando são diagnosticados (3), mas é possível identificar, em alguns casos, queixas comuns como “cansaço fácil, infeções respiratórias, aparecimento de nódulos, que resultam de gânglios linfáticos aumentados de volume, febre, perda de peso e outras queixas inespecíficas”.

Segundo o Presidente da APCL, para muitos doentes com este tipo de leucemia é possível uma vida quotidiana sem grandes alterações, já que atualmente “há um melhor conhecimento da doença e do seu comportamento e mais medicamentos disponíveis para o tratamento”, nomeadamente a imunoterapia, que Isabel Barbosa destaca como tendo trazido uma melhor qualidade de vida aos doentes.

A Presidente da APLL refere ainda que, no caso dos doentes ainda no ativo, “vir ao hospital, principalmente em tempo de pandemia, nem sempre é fácil”, pelo que “as teleconsultas foram uma solução” que contribuíram para uma melhor gestão do seu dia-a-dia.

Referências:
  1. Leukaemia Care – Chronic Lymphocytic Leukemia (CLL). A guide for patients. Disponível em: https://media.leukaemiacare.org.uk/. Acedido em julho de 2021.
  2. National Organization for Rare Disorders. Chronic Lymphocytic Leukemia. NORD (National Organization for Rare Disorders). Disponível em: https://rarediseases.org/rare-diseases/chronic-lymphocytic-leukemia/. Acedido a 11 de março de 2021
  3. APCL – Associação Portuguesa Contra a Leucemia. Leucemia Linfocítica Crónica. Disponível em: https://www.apcl.pt/pt/doencas-do-sangue/leucemias/leucemias-cronicas. Acedido a 28 de fevereiro de 2021.
  4. NHS. “Chronic lymphocytic leukaemia. Overview”. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/chronic-lymphocytic-leukaemia/. Acedido a 28 de fevereiro de 2021.
  5. Institut National du Cancer (France). La prise en charge de la leucémie lymphoïde chronique. (Institut national du cancer, INCa, 2015). Disponível em: https://www.e-cancer.fr/Expertises-et-publications/Catalogue-des-publications/La-prise-en-charge-de-la-leucemie-lymphoide-chronique. Acedido a 11 de março de 2021

 

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