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“Afinidades eletivas” entre artistas traçam percurso da exposição “Arte em São Bento”

As “afinidades eletivas” entre três dezenas de artistas portugueses é um dos fios condutores da exposição criada pelo curador Delfim Sardo para a quarta edição da iniciativa “Arte em São Bento”, que é inaugurada a 05 de outubro, em Lisboa.

Pelo quarto ano consecutivo, o Palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, acolherá um conjunto de obras de arte contemporânea portuguesa, desta vez cedida pela Coleção de Ana Cristina e António Albertino (AA), com sede em Coimbra, que se apresenta pela primeira vez em Lisboa, num total de 41 peças.

No percurso desta mostra, criado por Delfim Sardo, um dos critérios da seleção de obras foram as “conexões entre os artistas”, fosse por amizade, por terem trabalhado juntos, ou por admiração mútua, explicou, numa visita guiada aos jornalistas, na residência oficial.

Logo na primeira sala do Palacete de São Bento é possível ver reunidas várias obras de fotografia e pintura de Helena Almeida (1934-2018) e de Michael Biberstein (1948-2013), um artista suíço que viveu mais de trinta anos em Portugal, onde fixou residência, mas também de jovens criadores emergentes como Sara Bichão.

“Procurou-se encontrar conexões entre as obras, surgindo as relações naturais que os artistas tinham entre si, ou com os colecionadores. Portanto é uma apresentação das afinidades eletivas entre os artistas, da maneira como se ligam e ligaram, como convivem, das admirações mútuas que têm”, explicitou o curador, acrescentando que a criação do percurso teve uma “tradução física e especial nesta situação tão peculiar que é apresentar arte na residência oficial do primeiro-ministro”.

Noutra sala, o visitante pode descobrir a obra que deu início à criação da Coleção AA, uma pintura sem título, de 1991, de Ângelo de Sousa, e, continuando pelas salas, estão dispostas pinturas de João Queiroz, esculturas de Rui Sanches, pintura de Fernando Calhau e ainda obras de Francisco Tropa e Rui Chafes, o mais representado no conjunto, com três esculturas, uma delas colocada no jardim do palacete.

Delfim Sardo apontou ainda que o critério de seleção das obras “foi afinado com os colecionadores, e nasce de um entendimento do que eram as preocupações fundamentais dos proprietários na construção da coleção internacional”, a partir do início dos anos 1990, mas começando as primeiras aquisições nos anos 1980, que se “solidificou” como coleção a partir da década seguinte.

“Não tem só artistas portugueses, tem também uma grande presença internacional, mas não é o caso desta apresentação, porque o [projeto] ‘Arte em São Bento’ mostra artistas portugueses”, enquadrou o historiador de arte e ensaísta, acrescentando que a coleção só esteve ainda patente ao público uma vez, em Coimbra.

As obras continuam o seu percurso ao longo das salas e pela escadaria que liga os dois pisos, com peças de escultura e pintura de Diogo Pimentão, Júlio Pomar, Fernanda Fragateiro, Jorge Molder, Carla Filipe, Ângela Ferreira, Joana Vasconcelos, representada por uma das suas primeiras peças.

Sobre a forma como teve de adaptar as obras ao ambiente e função das salas e ao mobiliário, Delfim Sardo disse: “Foi muito interessante, não há manual de instruções, e foi preciso ler o espaço, compreender a relação entre o seu lado protocolar e oficial, mas também a sua natureza como residência”, descreveu.

“Procurou-se estabelecer uma ligação entre estes dois mundos: o da casa e o da representação. No balanço entre as duas componentes, tentámos construir um todo que fizesse sentido e que proporcionasse aos visitantes, que virão nos primeiros domingos de cada mês, uma experiência e um conhecimento de setores da arte portuguesa. Também foi pensada para quem frequenta este espaço quotidianamente, e pudesse ter motivos para ir redescobrindo as relações entre os artistas”, apontou.

Além da questão geracional, representando artistas de várias gerações, desde aqueles que já faleceram até aos emergentes, como Joana Escoval ou Sara Bichão, o curador teve ainda em mente “encontrar um equilíbrio de género”.

Na exposição foi dada ainda uma “centralidade especial” ao artista Julião Sarmento, que morreu no passado mês de maio, aos 72 anos, resultado de uma “preocupação” dos colecionadores e de Delfim Sardo, no sentido de “relembrar este artista central da arte portuguesa no último meio século, que nos deixou há muito pouco tempo, e prematuramente”.

“Ele merecia, mais uma vez, uma atenção renovada à sua obra”, estando representado nesta exposição com duas peças de pintura.

Anualmente, desde 2017, um conjunto de obras de arte contemporânea portuguesa, pertencente a uma coleção privada de fora de Lisboa, é apresentada na residência oficial, com acesso ao público no primeiro domingo de cada mês, ao longo de um ano.

Nesta quarta edição de “Arte em São Bento”, os artistas representados são Álvaro Lapa, Ana Vieira, André Cepeda, Ângela Ferreira, Ângelo de Sousa, António Sena, Carla Filipe, Diogo Pimentão, Fernanda Fragateiro, Fernando Calhau, Francisco Tropa, Gil Heitor Cortesão, Helena Almeida, Joana Escoval, Joana Vasconcelos, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, João Penalva e João Queiroz.

Jorge Molder, José Pedro Croft, Julião Sarmento, Michael Biberstein, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes, Rui Sanches, Rui Toscano, Sara Bichão, Teresa Lacerda e Vítor Pomar também fazem parte do conjunto selecionado pelo curador Delfim Sardo.

*LUSA

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