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O vício de dar a conhecer poesia a quem acha que não gosta

Filipe Lopes – 30 anos a mediar leitura

“Dias Úteis” é um dos mais recentes projectos de mediação de leitura desenvolvido por Filipe Lopes.
Através da Associação de Ideias, de que é fundador e dirigente, lançou um podcast que pretende ser diferente, numa época em que estes surgem a cada dia e para todos os gostos.
Mas um podcast diário de literatura, sem introduções nem análises, era algo que não existia.

Filipe Lopes

Desde 21 de Março de 2021 que a iniciativa já conta com mais de 180 episódios, disponíveis gratuitamente. E agora, vai estar também ao vivo.
São cerca de 30 anos a divulgar a leitura.
Desde a adolescência, com um programa numa rádio local de Tomar, passando pelos recitais ao vivo com o Grupo O Contador de Histórias ou o projecto A Poesia não tem grades (desde 2003 nas prisões portuguesas) que Filipe Lopes procura levar o gosto pela leitura, sobretudo da Poesia, àqueles que acham que não gostam.
Para o divulgador cultural esta é uma missão de vida, chegar a quem ainda não foi tocado pela beleza das palavras escritas e ditas, fazendo dos livros companheiros, num mundo onde cada vez mais gente se sente sozinha.
Durante o confinamento resultante da pandemia, impulsionou o projecto “Palavras Vizinhas”, uma iniciativa que já conta com milhares de participantes em todo o país: deixar uma carta, anónima, com um poema manuscrito, em caixas de correio aleatórias, com indicações para retribuir por outros vizinhos e um autocolante para colar na caixa de correio, formando uma comunidade que rapidamente se expandiu.
Mas foi no início da Primavera e a celebrar o Dia Internacional da Poesia que surgiu o podcast Dias Úteis.
Uma ideia antiga, guardada na gaveta, que finalmente saltou para o público.
Episódios curtos, normalmente publicados de segunda a sexta-feira às 7h da manhã, com leitores de diversas proveniências e formações, a partilhar quase sempre poesia mas também prosa poética.
Um dos objectivos é também mostrar o trabalho realizado em escolas, bibliotecas e outros locais, pelo que não é estranho que um episódio seja com um autor a ler um texto seu e o seguinte seja um aluno a fazer a uma leitura em voz alta.
Ao longo de mais de meio ano ouviu-se Português com quase todos os sotaques possíveis mas também poemas lidos noutras Línguas, fruto da colaboração, por exemplo, com o Instituto Camões e com iniciativas como o Festival de Poesia de Lisboa.
Para além do trabalho diário de edição dos episódios, Filipe Lopes lança agora outro desafio, o de levar o podcast ao palco.
Juntando-se ao pianista Marco Figueiredo (responsável pelo tema original) e às vozes de Ana Cristina Pereira e José Carlos Tinoco (para além de convidados ocasionais), “Dias Úteis ao vivo” terá dois formatos: um com vários autores, adaptado também a sessões pedagógicas para alunos e outros interessados e a uma versão apenas sobre um autor, “No singular”.
É precisamente com esta que se inicia a apresentação pública, com uma abordagem à obra de José Saramago, percorrendo o discurso directo de alguns personagens de diferentes obras, criando diálogos improváveis.
O ensaio geral com público está marcado para 22 de Outubro, às 21h, no Mira Fórum, no Porto, com entradas reservadas.
No mesmo dia, num formato mais intimista, o colectivo vai estar também na Ala de Psiquiatria Forense do Hospital Magalhães Lemos, a partir das 14h30, para uma sessão com os utentes, resultado de um trabalho iniciado há vários meses com aquela instituição.

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