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O número 10 deve ser comemorado

O número 10 deve ser comemorado. É assim que se faz, sempre ouvi dizer. Na realidade, este é o primeiro número de dois algarismos que encontramos pelo caminho… Acrescentaremos o terceiro daqui a 90 anos e já fizemos as malas…

Como sempre, no número 10 seremos som, imagem, cheiro, sabor e toque… Este foi sempre o desafio Fora do Lugar… uma espécie de disponibilidade invulgar, alimentada por este território e pelas suas paragens… pelo tempo e pela forma com que comunicamos com o que nos rodeia e com os encontros que despertamos… aqueles que procurámos ou aqueles que nos procuraram… O espanto como necessidade básica, o espanto como respiração…

O número 10 é uma proposta de transições… Entre os modelos antigos, pré-pandémicos, reais e reconhecíveis, os modelos de passagem, de distância e mediação que vivemos nestes anos  e os de recuperação do que nos faz mais falta… o encontro, real e tangível…

É, também, uma proposta de olhar… olhar o mundo e a criatividade humana a partir do feminino… integralmente dedicada ao feminino sonoro… e em português… como afirmação estética…

Som, imagem, cheiro, sabor e toque… à distância ou em pessoa… reais ou irreais…

Viajamos em embaixada… A par dos filmes sonoros, viajaremos para encontros presenciais pelas aldeias deste território. Seremos guiados por uma embaixadora que, ao mesmo tempo, abre as portas dos modelos futuros e recorda o passado recente. Com ela viaja uma concertina e uma voz e viajam os filmes que chegam a todo o mundo ao mesmo tempo… Ao mesmo tempo ao 10º andar de um arranha-céus em Tóquio e ao lugar mais fora do lugar… todos com pessoas lá dentro e tudo…

O número 10, é também, comemorado com o Ciclo 10 — 10 Anos Fora do Lugar — que antecipa o programa principal… Durante 10 dias comemoramos a nossa primeira década com 10 pequenos filmes — 1 por dia — filmados nas terras mágicas de Idanha-a-Nova, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e com a participação do Coro Gulbenkian, também no feminino.

Entramos, agora, no número 10… para ouvirmos desafios de encontro musical entre vozes, mãos, dedos no feminino, alguns encontros que não existiam… alguns encomendados, especialmente, para virem para Fora do Lugar, ao “lugar mais bonito do mundo”, Idanha-a-Nova.

Connosco viajam os dedos sensíveis da Joana Gama, a voz, a harpa e o cravo delicados da Ana Vieira Leite e da Maria Bayley, a concertina voadora da Eva Parmenter, o surpreendente encontro entre a viola e o violoncelo barrocos da Raquel Massadas e da Diana Vinagre, a dança e a viola da gamba que contam histórias da Catarina Costa e Silva e da Filipa Meneses e o traverso e a harpa que escrevem poesia da Joana Amorim e da Rebeca Amorim Csalog.

Som, imagem, cheiro, sabor e toque… na rua, em casa, com frio ou com calor, à distância ou em proximidade, a plantar árvores ou a cuidar delas, a ver aves ou a cuidar delas… para todas as idades ou apenas para a sua… a cozinhar ou a comer, a ver dançar ou a dançar… são estas e tantas outras as propostas a descobrir nas próximas semanas… e é tão bom estar fora do lugar…

O número 10 deve ser comemorado. É assim que se faz, sempre ouvi dizer.

*Filipe Faria, Director do Festival Fora do Lugar &Director da Arte das Musas

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