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Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros em Lisboa reabre renovado na quarta-feira

O Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros (NARC), em Lisboa, reabre ao público, renovado, na quarta-feira, com uma “encenação museológica”, facilitando a transmissão dos seus conteúdos, disseram responsáveis à agência Lusa.

A arqueóloga Jacinta Bugalhão, da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), que tem acompanhado o espaço arqueológico na baixa lisboeta desde a sua escavação, disse à Lusa que o novo projeto “aponta para uma componente cénica, permitindo a experiência de se estar num sítio arqueológico debaixo da cidade, facilitando a comunicação da mensagem através de imagens que demonstram o que ali se acontecia em tempos passados”.

Um dos períodos em foco neste espaço é a ocupação romana na Península Ibérica, através dos vestígios das estruturas da salga de peixe e a sua conservação para exportação, numa pasta o “garum”, especialidade muito apreciada pelos romanos.

A pesca, a conservação de peixe, a produção de sal e a olaria foram as atividades económicas da antiga Olissipo, a Lisboa romana.

“O espaço foi obscurecido realçando o sítio arqueológico e as peças, recorrendo a novas tecnologias como a projeção ‘in situ’ e a tradicional, em ecrã”, disse Bugalhão.

“Agora, o que era explicado aos visitantes, como a salga do peixe e a sua conservação é apresentado em imagens animadas. O núcleo tornou-se mais dinâmico sem se ter tocado nas estruturas arqueológicas”, acrescentou.

O ateliê Brückner, de Estrasburgo, é o responsável pela nova apresentação do NARC. Este é “um dos ateliês mais conceituados no mundo”, disse Bugalhão, que referiu “a necessidade de se acompanhar os tempos”.

“O NARC quando abriu, em 1995, era ótimo e cumpriu muito bem a sua missão, mas podemos aproveitar as novas tecnologias para aproximar o público da arqueologia e passar melhor a informação”, disse.

“Usando um ‘iPad’, o guia da visita controla a configuração encenada, com camadas de luz, som e informações que são projetadas nas exposições e transmitem o significado original dos achados e o seu uso na vida quotidiana”, explica, em nota, a Fundação Millenium bcp, que tutela o espaço museológico.

Através do recurso às novas tecnologias, um gráfico projetado mostra os tanques com os preparados de peixe.

A sala, no rés-do-chão, dispõe de diversos meios de comunicação e apresenta uma cronologia sobre Lisboa, dando uma antevisão das peças expostas, desde vestígios de paredes de uma casa fenícia da Idade do Ferro (1200 antes de Cristo) a um forno de padaria que permaneceu em uso até ao século XIX.

O NARC, localizado no subsolo do edifício do Millennium bcp, na rua Augusta e na rua dos Correeiros, em Lisboa, está sob a tutela da Fundação Millenium bcp, que firmou um protocolo com a DGPC, que assegura o apoio técnico e científico.

O sítio arqueológico foi descoberto durante escavações entre 1991 a 1995, e está classificado como monumento nacional desde 2015.

O NARC abrange um período de mais de 2.500 anos, e inclui vestígios de edifícios e achados desde o período ibero-púnico (século IV antes de Cristo), até ao pombalino (século XVIII), passando pelas presenças romana (século I antes de Cristo) e islâmica, em 711 .

Além das ânforas, uma das peças expostas é um fragmento de cerâmica do século III antes de Cristo, que mostra uma imagem estilizada de um barco.

Desde 1995, quando abriu, até junho de 2019, quando fechou para remodelação, o NARC foi visitado por cerca de 185.000 pessoas, segundo dados da Fundação Millenium bcp.

Este novo modelo museológico permite adaptar a apresentação às tipologias dos grupos que visitam o NARC, referiu Jacinta BugalhãO.

As visitas – de segunda-feira a sábado, das 10:00 às 12:00 e das 14:00 às 17:00 – são sempre orientadas por um arqueólogo, e devem ser agendadas através da Fundação Millennium-bcp.

*LUSA

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