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Obras de Marco Martins, Pasolini e Anne Teresa de Keersmaeker na Culturgest em 2022

A estreia das peças “Selvagem”, de Marco Martins, e “Orgia”, de Pier Paolo Pasolini, encenada por Nuno M. Cardoso, e um solo dançado por Anne Teresa De Keersmaeker, marcam o primeiro semestre da temporada de 2022 na Culturgest, em Lisboa.

Entre janeiro e julho, segundo a nova programação divulgada hoje pela Culturgest, será dado um destaque especial à dança, com cinco espetáculos, nomeadamente, no início do ano, com a coreógrafa belga Anna Teresa De Keersmaeker, que subirá ao palco a solo, para interpretar “As Variações Goldberg”, com o pianista Pavel Kolesnikov.

Numa parceria entre a Culturgest e a Gulbenkian Música, realiza-se o programa “Rosas/Bach”, que inclui duas coreografias de Anne Teresa De Keersmaeker com música de Johann Sebastian Bach, e a coreógrafa apresentará, na Gulbenkian, “Suites para violencelo solo”, com o violoncelista Jean-Guihen Queyras.

Também no início do ano, em estreia absoluta, na área da dança, Sónia Baptista irá apresentar “Wow”, que se debruça, em palco, sobre os conceitos de beleza e feiura, e ainda, em abril, o regresso de “O Limpo e o Sujo”, da coreógrafa Vera Mantero, com Bruno Beltrão a apresentar uma nova criação em junho.

No verão, o bailarino e coreógrafo francês Boris Charmatz estreia em Portugal um projeto que leva a dança para o espaço público, criado para levantar o debate sobre questões como ecologia urbana, democratização das artes e participação ativa.

O projeto conta com um espetáculo em Lisboa “[terrain]”, que irá instala-se na Alameda Dom Afonso Henriques, com um elenco de bailarinos franceses e portugueses, e a participação do público.

Na área do teatro, os primeiros seis meses dos palcos da Culturgest vão receber, em março, a peça “Selvagem”, de Marco Martins, baseada no livro “Wilder Mann”, do fotógrafo Charles Freger, que atravessou a Europa em busca da figura do selvagem sobrevivente nas tradições populares locais, da Finlândia a Portugal, passando pela Roménia, Alemanha e Eslovénia.

Em abril, estreia-se “Orgia”, de Pier Paolo Pasolini, peça encenada por Nuno M. Cardoso, uma tragédia contemporânea sobre a diversidade e sobre os impulsos obscuros e violentos que movem o ser humano, com interpretações de Albano Jerónimo, Beatriz Batarda e Marina Leonardo.

A celebração dos 100 anos do nascimento do escritor italiano Pier Paolo Pasolini, na Culturgest, conta com esta nova criação teatral, a que se associa ainda a Festa do Cinema Italiano e uma série de debates dedicados ao dramaturgo e cineasta.

Antes, em fevereiro, a Hotel Europa apresenta “Amores de Leste”, no seguimento do trabalho desta companhia de teatro documental, focando-se, desta vez, numa viagem entre África, Portugal e a Europa de Leste, através das histórias de pessoas que viveram do outro lado da Cortina de Ferro, enquanto combatiam pelo fim da ditadura e do colonialismo portugueses.

O espetáculo é baseado em relatos recolhidos e nas histórias dos próprios intérpretes – de Angola, Cabo Verde, República Checa, Alemanha, Moçambique e Portugal -, e questiona as relações entre o amor, a família e a política.

A conjugar as áreas de teatro e dança irá ser apresentado, em maio, um espetáculo de Martim Pedroso, intitulado “5, 6, 7, 8 and One”, produzido a partir da experiência pessoal da bailarina e coreógrafa Marlyn Ortiz, coreógrafa de artistas como Madonna, Britney Spears, Taylor Swift, The Black Eyed Peas, entre outros, que participou em diversos musicais da Broadway e criou espetáculos com a sua própria companhia, Bon Bon Burlesque.

Nas artes visuais, Tony Conrad, nome da vanguarda norte-americana e figura proeminente da cena nova-iorquina da década de 1960, que morreu em 2016, padrinho dos The Velvet Underground, performer, realizador e músico experimental, terá uma retrospetiva em Lisboa sobre as várias facetas do seu trabalho: música, pintura, filmes e textos, que deverá ir de março a julho.

Para esta exposição foram reunidos vários dos seus mais importantes trabalhos, entre os quais o filme “The Flicker” (1966), uma das mais celebradas obras de cinema estruturalista, e os “Yellow Movies” (1972-73), série na qual o artista procura uma fusão entre cinema, fotografia e pintura. São também reunidos vários dos instrumentos musicais que inventou, e algumas das obras em que se dedicou a dissecar o funcionamento dos media e das instituições contemporâneas.

Estão igualmente previstas as primeiras exposições, em Portugal, de Daniel Dewar & Grégory Gicquel, de janeiro a maio, com trabalhos de grande escala em madeira e em mármore rosa português, que remetem para um “mundo distorcido: aumentado, fragmentado, duplicado, fundido, falhado, miscigenado, metamorfoseado”, na descrição da Culturgest.

Com inauguração marcada para junho, há ainda a exposição de Mattia Denisse, artista e escritor nascido em França a viver em Lisboa, que, “por norma, não respeita a fronteira entre os mundos da escrita e da visualidade, porque os entende como manifestações imanentes de uma mesma energia criativa”.

Na Culturgest Porto, é inaugurado, na última semana de março, o nono e último momento do projeto Reação em Cadeia – parceria entre a Culturgest e a Fidelidade Arte -, com a exposição “Árvores”, de Ângelo de Sousa, uma das figuras mais influentes da arte portuguesa da segunda metade do século XX.

No início de julho, é inaugurada uma exposição do coletivo Berru – constituído pelos artistas da cidade do Porto Bernardo Bordalo, Mariana Vilanova, Rui Nó e Sérgio Coutinho – que, em 2019, venceu o Prémio Sonae Media Art com uma instalação biológica.

Na música, 2022 trará à Culturgest discos novos: Maria Reis regressa ao grande auditório para o concerto de apresentação de “Benefício da Dúvida”; Filho da Mãe, após quatro anos, volta com novo álbum, “Terra Dormente”; os Sensible Soccers estreiam, em Lisboa, o seu cine-concerto, “Manoel”; e Emma Ruth Rundle vem a Portugal apresentar o seu mais recente álbum, editado este ano.

Haverá ainda “The Secret Museum of Mankind”, projeto de João Nicolau e Mariana Ricardo, a quem se juntam em palco João Lobo, Luís José Martins, Crista Alfaiate e Rita Sá.

Logo no início do ano, Joana Gama e Luís Fernandes dão início à programação de música com apresentação do seu mais recente trabalho, “There’s No Knowing”.

Na área do cinema, estreia-se na Culturgest a primeira edição da Ampla, mostra de cinema com uma seleção dos filmes premiados nos principais festivais portugueses de cinema em 2021, onde todos os filmes são exibidos com recursos de acessibilidade para que todas as pessoas possam usufruir da mostra.

A filósofa e física Karen Barad, que a Culturgest apresenta como uma das mais influentes referências do pensamento contemporâneo, estará em Lisboa para uma conferência sobre investigação focada nos impactos da física quântica no pensamento e nos estudos culturais e feministas.

*LUSA

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