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Legislativas: João Oliveira acusa PS de apropriação de propostas do PCP

O dirigente comunista João Oliveira acusou hoje o PS de estar a apropriação-se das propostas apresentadas pelo PCP na Assembleia da República e de como incluir na propaganda eleitoral como conquistas socialistas.

“Olha, ele vai passar por aqui”, disse um apoio da CDU ao neto, que se tentou empoleirar na cadeira em que estava sentado para assistir à chegada de João Oliveira, cabeça de lista da CDU pelo círculo eleitoral de Évora.

Em Montemor-o-Novo e a um dia do arranque oficial da campanha para as eleições legislativas, o membro da Comissão Política do Comité Central do PCP recorreu a uma expressão popular para apontar o dedo ao PS: “Em tempo de campanha eleitoral parece que somos todos pardos, como os gatos à noite”.

“O PS, que durante seis anos teve uma ação de resistência, de recusa e de armadilhas a todas as medidas positivas que nós temos e que deviam ser concretizadas, agora tenta apropriar-se das dessas autorias mesmas medidas positivas como se elas resultassem de sua ação”, sustentou, acrescentando que essas propostas são fruto “da persistência” do PCP e do PEV.

Sem arredar pé das críticas, João Oliveira reforçou que PS, PSD, CDS-PP, Chega e IL são apenas “forças de oposição” a todas as soluções para os problemas do país.

“Agora fala delas [das propostas] e algumas delas introduzem-nos nos próprios programas eleitorais. Como se alguém pudesse levar a sério aquilo que agora alguém diz exatamente ao contrário daquilo que acabou de fazer, chumbando as medidas que agora diz defender”, completou.

O PS, na tentativa de alcançar a maioria absoluta, decidiu bloquear as soluções, prosseguiu o também líder parlamentar do PCP, mas “fez mal em forças a queda do Governo, em forçar a dissolução da Assembleia da República” e em empurrar o país para eleições antecipadas.

Portugal precisa de respostas, não de eleições, mas já que os eleitores são chamados às urnas, João Oliveira pediu que fez no dia 30 de janeiro uma avaliação do trabalho desenvolvido nos últimos anos no parlamento pelas diferentes forças políticas.

No final da sessão pública, que se realizou em frente ao mercado municipal de Montemor-o-Novo, João Oliveira foi cumprimentado os populares que pararam para o escutar, através de uma demonstração de afeto que fez lembrar a postura a que Jerónimo de Sousa habituou os portugueses.

O dirigente comunista encontrou uma mulher com quem já tinha conversado sobre as dificuldades no acesso ao emprego. Questionada sobre se gostava de ver João Oliveira como próximo secretário-geral do PCP, não esconde a preferência pelo ‘número um’ por Évora: “Mas eu sou suspeita… Não sou militante, mas sou simpatizante da CDU”.

Os dirigentes comunistas João Ferreira e João Oliveira substituiram provisoriamente o secretário-geral do PCP na campanha para as eleições legislativas, enquanto Jerónimo de Sousa recupera uma operação de urgência à carótida interna esquerda a que foi submetido na quinta-feira.

Nas legislativas de 2019, a Coligação Democrática Unitária (CDU) – que integra o PCP, o PEV e a Associação Intervenção Democrática – elegeu 12 deputados (dez do PCP e dois do PEV) e obteve 6,33% dos votos, ou seja, 332.473 votos (de um total de 5.251.064 votantes), menos 113.507 do que em 2015, de acordo com o Ministério da Administração da Interna (MAI).

*LUSA

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