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“Vamos Cantar as Janeiras na Tradição Popular da Beira – Baixa” foi o tema de mais uma palestra uma palestra

Uma palestra – recital protagonizada pelo poeta António Salvado e subordinada ao tema “Vamos Cantar as Janeiras na Tradição Popular da Beira – Baixa” teve lugar no passado dia 15 de Janeiro, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, numa iniciativa da Real Associação da Beira Interior, com o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco.

Começou o orador por afirmar que, no decorrer do ano litúrgico, dois acontecimento ganham particular relevo (entre muitos outros), pelos seus contornos de acentuada originalidade: o primeiro, do dia 01 ao dia 02 de Novembro, é designado por Dia de Todos os Santos (o dia 01) e o Dia dos Fiéis Defuntos ou Dia de Finados (o dia 02), desenrolando-se entre um e o outro chamado santorum ou santorinho – acto que consiste na solicitação de alguma dádiva levada a efeito, de porta em porta, por grupos de homens ou rapazes; o segundo acontecimento, de cariz bem profano, obedece a um prolongamento dos festejos natalícios, indo do dia 31 de Dezembro ao Dia de Reis Magos no ano seguinte, ao qual chamamos Janeiras, resumindo-se num peditório concretizado também por grupos de homem ou de rapazes aos quais, em algumas localidades se juntam raparigas.

Porém, esclareceu António Salvado, escassos são os traços que aproximam o acontecimento de Novembro do acontecimento de Dezembro / Janeiro…Na verdade, enquanto o primeiro se reveste de compostura profundamente religiosa, o segundo timbra pelo seu caracter profano, avivado por cantorias e galhofas.

Por outro lado, a comemoração de Novembro não dá lugar a qualquer desenvolvimento de natureza poética, sendo raríssimo e sem significado o seu conteúdo exemplificado na poesia portuguesa, ao mesmo tempo que as Janeiras originaram todo um extenso cancioneiro popular de substância variada e de expressividade carregada de ironia ou de subtilíssimo humor.

Mas, para António Salvado, as Janeiras, na sua aparência de folclore irrisório e na medida em que testemunham peditórios por parte de grupos de gente de nenhuns haveres, de vida quotidiana difícil a rondar a fome [principalmente quando se trata de crianças (e lê-se num monógrafo regional) seminus, rotos, descalços e a tiritarem de frio, a cantarem as janeiras em toada doente] – nessa medida, reafirma António Salvado, as chamadas Janeiras permitem uma interpretação muito diferente da usual.

Curiosa a relacionação estabelecida pelo orador entre as motivações que deram origem à considerada “arte popular” e os afloramentos que preenchem o cancioneiro janeireiro, frisando que as materializações que se enquadram naquele tipo de arte (em barro, em preda, em osso, em massa, em panos tecidos, etc) e as versificações espontâneas que alicerçam os peditórios (de esmolas) dos janeireiros se devem, afinal e quanto à respectiva autoria, ao mesmo género de classe social: essa que foi engendrada na comum miséria, na existência pejada de dificuldades, na irremediável, atávica e desesperada pobreza.

“Vamos Cantar as Janeiras na Tradição Popular da Beira – Baixa”

E, em momentos de inspiração, assim se suaviza o dramático fluir de um dia a dia sem sol…E, sobre essa circunstância patenteada no seu excurso e relativa à arte popular e ao cancioneiro janeireiro, façamos referência à maneira como o Poeta finaliza o assunto, esclarecendo que hoje, e em consequência das profundas alterações sociais operadas no Portugal recente, aquela arte genuína popular foi substituída pelo artesanato imitativo (em lojas para os turistas) e o vasto e antigo cancioneiro janeireiro faz parte dos programas musicais de ranchos e bandas folclóricas aplaudidos por quem os ouve.

Atentamente, soube também António Salvado facetar as tónicas ou as marcas mais distintas desta ou daquela povoação beiroa, procurando analisar as razões que articularam essa singularidade.

Durante a palestra foram recitados poemas por Maria de Lurdes Riscado (Milu) e por Manuel Costa Alves.

No final do evento cultural, Miguel Carvalhinho acompanhado com sua viola recitou poemas, também António Carvalho cantou poemas das Janeiras da aldeia de Sobral do Campo.

 

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