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Universidade de Coimbra lança site que desvenda ‘segredos’ da botânica com mais de 100 anos

Já está online o site Cartas da Natureza (http://cartasdanatureza.uc.pt), que desvenda todos os pormenores das trocas de correspondência dos botânicos da Universidade de Coimbra (UC), em finais do século XIX e início do século XX.

A plataforma, que contém informações taxonómicas e geográficas de potencial relevo para a definição de estratégias de promoção e conservação da biodiversidade em Portugal e vários países lusófonos, foi lançada pela UC com o contributo de mais de mil cientistas-cidadãos, que colaboraram na transcrição das cartas.

A base de dados “Cartas da Natureza” contém a transcrição pesquisável do conteúdo da correspondência trocada pelos responsáveis do Instituto, do Herbário e do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, entre cerca de 1870 e 1928 (cartas que hoje integram o espólio do Arquivo de Botânica do Departamento de Ciências da Vida da UC).

Estas missivas, envolvendo mais de 1100 correspondentes diferentes, contêm informações relevantes sobre localizações históricas de plantas, áreas de distribuição e abundância de espécies, registos de trocas de plantas e sementes, processos científicos de colheita, classificação e taxonomia de plantas e dados para reconstrução do percurso de espécimes de herbário e objetos museológicos nas coleções de história natural da UC.

Todos esses dados, disponibilizados online, foram obtidos com a colaboração voluntária dos cidadãos-cientistas que responderam ao apelo à comunidade lançado em 2019, a partir da plataforma Zooniverse, que agrega interessados em projetos de ciência participativa.

Cerca de 1200 participantes – muitos deles estrangeiros – contribuíram para a transcrição de mais de mil cartas, em seis línguas diferentes, num total de mais de 3,8 milhões de caracteres (mais de 640 mil palavras).

“Sendo uma quantidade de dados muito grande, esta foi uma excelente oportunidade para pedir a colaboração de voluntários, cidadãos-cientistas, que ajudassem nessa parte do processo de criação do conhecimento. Era uma tarefa exigente, mas absolutamente fundamental. E, incrivelmente, ao fim de um ano, tínhamos o material praticamente todo transcrito”, recorda o Coordenador do projeto Cartas da Natureza e investigador do Centro de Ecologia Funcional da UC, António Gouveia.

“A transcrição torna facilmente pesquisável toda a informação que até aqui apenas estava contida nas imagens digitalizadas das cartas. Estamos a falar de relações epistolares que relatam a ligação entre os cientistas da Universidade de Coimbra, como Júlio Henriques [grande impulsionador do estudo da botânica em Portugal], e os seus congéneres de toda a Europa, que criavam redes de conhecimento sobre as plantas. Na realidade, esta correspondência, que parece ter um âmbito relativamente local, é bastante global, quer em termos da informação que contém quer em termos dos atores que envolve”, explica António Gouveia.

É também por isso que, passados mais de 100 anos, os ‘segredos’ das cartas agora desvendadas continuam a ter particular relevo científico.

“Muita desta informação diz respeito a Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, que a poderão utilizar em questões relacionadas com o conhecimento da biodiversidade passada, que pode ter implicações na definição de estratégias de conservação presentes e futuras”, sublinha o Coordenador do Projeto e investigador associado da Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável – no âmbito da qual o projeto “Cartas da Natureza” foi desenvolvido, em colaboração com o Jardim Botânico, o Departamento de Ciências da Vida e o Centro de Ecologia Funcional da UC.

Para todos os potenciais interessados – e como reconhecimento pelos participantes que colaboraram de forma voluntária na transcrição – os documentos estão agora disponíveis online, em acesso aberto, para consulta da comunidade científica e sociedade civil.

A iniciativa é também mais um exemplo do crescente envolvimento da UC nos domínios da ciência aberta. “Este projeto ilustra, de forma modelar, as inequívocas vantagens do paradigma emergente da chamada Ciência Cidadã, através da qual os cidadãos podem dar um contributo determinante para acelerar o desenvolvimento da ciência e reforçar a sua relevância social”, conclui o Vice-Reitor da UC para a Cultura e a Ciência Aberta, Delfim Leão.

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