11.1 C
Castelo Branco
Terça-feira, Maio 24, 2022
No menu items!
InícioCulturaLançamento do livro “Deflagrações” de José Luís Hopffer Almada na UCCLA

Lançamento do livro “Deflagrações” de José Luís Hopffer Almada na UCCLA

Vai ter lugar no dia 17 de fevereiro, às 18 horas, o lançamento do livro “Deflagrações” da autoria de José Luís Hopffer C. Almada, no auditório da UCCLA.

Com moderação do Professor de Literatura Hilarino da Luz, o lançamento contará com as intervenções da professora Simone Caputo Gomes (videoconferência), da poetisa Conceição Lima (videoconferência), do economista e ativista antirracismo Jorge Almeida Fonseca (presencial) e do professor Inácio Pereira (videoconferência).

A sessão será abrilhantada com um recital de poesia com a participação do poeta Mário Máximo e do Grupo Tapoé.

Sinopse:

O livro Deflagrações, de José Luís Hopffer C. Almada, comporta duas partes distintas, se bem que comungando ambas de intuitos detonadores do status quo vigente:

1) Uma parte poética que, abrindo, como, aliás, em todos os livros de poesia do autor, com o poema “Autobiografia Ortónima”, atribuído ao ortónimo José Luís Hopffer C. Almada e agora em sua “Sétima Variação”, é atribuída aos nomes literários Erasmo Cabral de Almada e Nzé de Sant’y Ago. Essa primeira parte comporta, por sua vez, três “livros”: “Sombras Insepultas” e atribuído a Nzé de Sant’y Ago; “Os Nós da Solidão e Outros Irrepreensíveis Poemas e Outros Antigos Textos Colhidos E Por Vezes Refundidos à Sombra do Sol, Acrescidos De Novos Prosopoemas” Atribuídos A Erasmo Cabral de Almada”, como, por longo poema narrativo “Australidades”, de 158 páginas, ele próprio dividido em vários capítulos incluídos em duas partes principais.

2) Uma parte ensaística que pretende desconstruir tudo o que vem escrito sobre a pertinência ou a impertinência de uma poesia caboverdiana de afro-crioulitide ou de negritude crioula. Para tanto, disseca e analisa várias teorias identitárias sobre o caso caboverdiano, por muito tempo tido como o paradigma do sucesso da ideologia lusotropical, inventada por Gilberto Freyre e recuperada para suas aletas imperiais pelo colonial-fascismo português.

No que se refere à parte poética do livro, transcrevemos alguns excertos da parte ensaística do livro que se debruçam sobre a obra poética de José Luís Hopffer C. Almada:

“Muita influenciada pela escrita afro-crioulista e pan-africanista de grandes poetas caboverdianos, nomeadamente de Pedro Cardoso, Kaoberdiano Dambará, Mário Fonseca, Timóteo Tio Tiofe/João Vário, Corsino Fortes e Emanuel Braga Tavares, e desde cedo inspirada e germinada na “irritada postulação da fraternidade” de Aimé Césaire, consabidamente conjugadora de um condenado comprometimento político-social com uma liberdade formal plena propiciada pela escrita automática técnicas surrealistas de criação literária, a poesia de José Luís Hopffer C. Almada destaca-se numa óptica que recupera manifestações culturais culturais afro-crioulas.

Já na poética atribuída a Erasmo Cabral de Almada privilegia-se uma postura que se quer portadora de um olhar sarcástico e mordaz sobre a sociedade caboverdiana, as atribulações da sua História e as suas hodiernas indagações identitárias, como nos poemas “Parábola sobre o Castanho Sofrimento e a Verde Insurgência das Criaturas das Ilhas”, “Os Nós da Solidão”, “Nas mortes de Corsino Fortes (…) e Baltazar Lopes da Silva, que é o poeta Osvaldo Alcântara”, “Nhu Xinhu” ou “Estátua Imaginada”.

Tanto na poesia atribuída a Erasmo Cabral de Almada como naquela atribuída a nzé de Sant’y Ago (assim grafado a partir da edição do livro Rememoração do Tempo e da Humidade – Poema de Nzé de Sant’y Ago, para substituir o anterior Nzé di Sant’y Águ e o seu mais directo antecessor Zé di Sant’y Águ) aflora a assunção de uma condição de negro cosmopolita (mesmo se de raízes mistas, como se auto-definiu Barack Obama), deambulante da Europa, da África, das Américas e do Mundo em geral, quiçá camaleónico e sujeito a múltiplas metamorfoses advenientes de sua identidade crioula, todavia não apátrida, e sempre solidário e convívio com os afro-negros e os afrodescendentes europeus e americanos. Integra ademais as poéticas atribuídas a dois pseudo-henimos acima referidas uma óptica crítica e/ou épica e historicizante e rememorativa das sagas, das atribulações e das esperanças dos povos africanos, afro-negros e afrodescendentes de todo o mundo, como ilustrado no longo poema narrativo “Australidades”, constante do presente livro.

A propósito, em geral, da obra afro-crioulista do autor (…), escreve Ricardo Silva Ramos de Souza (…) na sua dissertação de mestrado ( Afirmando Outros Versões Da História… Memória e Identidade Nas Poéticas de Éle Semog e José Luís Hopffer Almada), defendeu na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em dezembro de 2014: “(…) destacamos a pertinência da obra de José Luis Hopffer Almada por considerar e valorizar a dimensão afro-crioula da identidade cabo-verdiana (…)”.

Leave a Reply

- Advertisment -

Most Popular

COMENTÁRIOS RECENTES

Paula Alexandra Farinha Pedroso on Elias Vaz lança livro sobre lendas e mitos de Monsanto
%d bloggers like this: