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Fotografias de Stanley Kubrick em exposição no Centro Cultural de Cascais

Uma exposição de fotografias do realizador Stanley Kubrick, que retratam a vida de Nova Iorque, e que lhe abriram as portas para o cinema, vai estar patente no Centro Cultural de Cascais a partir de 26 de fevereiro.

“Through a Different Lens — Stanley Kubrick Photographs”, uma iniciativa da Fundação D. Luís I e da Câmara Municipal de Cascais, no âmbito da programação do Bairro dos Museus, é uma exposição que revela ao público uma faceta menos conhecida de um dos maiores realizadores da história do cinema, segundo os organizadores.

Com curadoria de Sean Corcoran e Donald Albrecht, a partir dos arquivos do Museum of the City of New York, a exposição apresenta 130 fotografias, muitas delas nunca publicadas, e 41 revistas Look, uma publicação de Nova Iorque para a qual Stanley Kubrick ((1928-1999) trabalhou, e onde construiu um portefólio fotográfico.

Nestas imagens, Kubrick explorou o ‘glamour’ e a coragem das pessoas nas ruas, em discotecas e em eventos desportivos, captando a essência de uma cidade em transformação após a Segunda Guerra Mundial, e o sofrimento, a paixão e a intensidade da vida quotidiana, com um olhar sofisticado que contradizia a sua juventude e pouca experiência.

“‘Through a Different Lens — Stanley Kubrick Photographs’ revela a visão de um génio criativo em ascensão. Ao ver as fotografias, temos um vislumbre de em quem o jovem fotógrafo eventualmente se tornaria”, afirmam os organizadores, em comunicado.

Numa entrevista a Michel Ciment, publicada no livro “Kubrick”, sobre a sua obra, Stanley Kubrick afirmou: “A fotografia foi certamente o meu primeiro passo rumo ao cinema. Para fazer um filme inteiramente sozinho, o que fiz no início, pode não ter que se saber muito sobre mais nada, mas é preciso saber sobre fotografia”.

Autor de filmes que marcaram a História do cinema, como “Shining”, “Laranja Mecânica” e “2001: Odisseia no Espaço”, Stanley Kubrick foi, antes de tudo, fotógrafo, tendo chamado a atenção da revista Look com apenas 17 anos, o que fez dele o mais jovem repórter da história daquela publicação, para a qual contribuiu entre 1945 e 1950.

Foi nessa época que o cineasta desenvolveu o seu olhar e técnica que posteriormente o permitiria levar a experiência da fotografia para o cinema: a cinematografia e a luz dos seus filmes, o mistério e o drama das suas histórias, são elementos que começou a explorar durante os anos em que fotografava para a Look.

Durante esse período, Kubrick retratou cenas e personagens da sua cidade natal, “explorando temáticas que o inspirariam durante toda a sua carreira criativa e transformando-se num observador atento das interações humanas”.

Para a Look, o então jovem fotógrafo fez mais de 135 ensaios fotográficos, enquanto aprimorava as habilidades, relacionamentos e atrevimento criativo que o levariam ao cinema.

“Acho que registar esteticamente uma ação espontânea, ao invés de cuidadosamente encenar uma imagem, é o uso mais válido e expressivo da fotografia”, afirmou numa das primeiras entrevistas que concedeu, em 1948, à revista The Camera.

Na exposição que agora se inaugura em Cascais, os visitantes poderão ver, por exemplo, fotografias da primeira grande reportagem que realizou para a Look, “Life and Love on the New York Subway”, originalmente publicadas em março de 1947.

A sua experiência como fotojornalista também lhe permitiu explorar diferentes estilos artísticos e refinar as suas habilidades de enquadramento, composição e iluminação, inspirando-se na estética dos filmes noir de Hollywood e caminhando em contracorrente ao naturalismo típico do fotojornalismo da época.

Muitas das suas fotografias prenunciam o estilo que adotaria nos seus primeiros filmes, como “Killer’s Kiss” e “Um Roubo no Hipódromo”.

Foi ao serviço da revista Look que Stanley Kubrick esteve em Portugal, em 1948, num périplo pela Europa do pós-Guerra, tendo fotografado Lisboa e a Nazaré.

Stanley Kubrick deixou a revista Look aos 22 anos, atura em que começou a fazer curtas-metragens.

Em 1953 realizaria a sua primeira longa-metragem, “Medo e Desejo” e sete anos depois alcançaria o estatuto de estrela, aclamado pela crítica e pelo público, com “Spartacus”.

A este seguiram-se clássicos como “Lolita”, de 1962, e “Dr. Estranho amor”, de 1964.

O seu último filme, “De Olhos Bem Fechados”, de 1999, foi terminado no ano em que morreu, aos 70 anos.

*LUSA

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