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Covid-19/Dois anos: Um país suspenso que viveu entre a desilusão e a esperança

A covid-19 chegou oficialmente a Portugal em 02 de março de 2020, quando foram detetados os primeiros infetados e, desde essa data, o país viveu mais de 720 dias em função da pandemia, entre estados de emergência nas fases mais críticas e a atual situação de alerta, o nível mais baixo de resposta a situações de catástrofes da Lei de Base da Proteção Civil.

A face mais trágica destes dois anos são os mortos por covid-19, mas o rasto da pandemia estende-se também por mais de 3,2 milhões de pessoas que ficaram oficialmente infetadas, cerca de 10% das quais com sintomas após a recuperação, um fenómeno conhecido por `long covid´.

Pela primeira vez o estado de emergência foi decretado desde que Portugal vive em democracia, em março de 2020, tendo sido renovado várias vezes por períodos de duas semanas em dois momentos distintos, num total de 218 dias em que o país esteve ao abrigo deste regime previsto na Constituição.

Ao longo cinco ondas pandémicas, os portugueses conheceram uma nova realidade: a máscara passou a ser de uso recorrente, o teletrabalho foi obrigatório, alunos e professores adaptaram-se ao ensino à distância e cafés, restaurantes e lojas adotaram regras sanitárias e limitações de ocupação.

Nos piores períodos da pandemia, as medidas foram ainda mais restritivas, desde os confinamentos de toda a população, que levaram a cidades desertas, passando pela proibição de circulação entre concelhos em determinados dias e controlo de fronteiras, até ao impedimento de ajuntamentos na via pública e de visitas a hospitais e lares de idosos.

Nestes dois anos, a esperança de vencer o coronavírus SARS-CoV-2 recaiu, sobretudo, nas vacinas, desenvolvidas, testadas e aprovadas em tempo recorde e que chegaram a Portugal no final de 2020, através de um sistema liderado pela Comissão Europeia.

A expectativa dos portugueses foi, logo após o início da campanha em 27 de dezembro, abalada por suspeitas de vacinação indevida e pela falta de vacinas, mas o processo entrou em “velocidade de cruzeiro” a partir de março de 2021, quando o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo assumiu a liderança da `task force´ responsável pelo planeamento e logística.

A adesão dos portugueses à vacinação, assim como o maior volume de vacinas entregues pelas farmacêuticas e uma logística eficaz com mais de 300 centros em todo o país, catapultou Portugal para os lugares cimeiros a nível mundial, mas as expectativas de vencer o coronavírus através da imunização de grupo saíram goradas.

A responsabilidade por se ter abandonado este objetivo, que chegou a estar definido nos 85% da população vacinada, deveu-se, segundo os especialistas, às novas variantes do SARS-CoV-2, que obrigaram a vários avanços e recuos nas restrições impostas a setores de atividade e à população.

Das variantes detetadas em Portugal, duas destacaram-se ao longo destes dois anos, a Delta, que, no início de 2021, levou o Serviço Nacional de Saúde (SNS) a um máximo de internamentos e de mortes, após um Natal de 2020 quase sem restrições.

Nesta altura, o número de internados nos hospitais portugueses atingiu um pico de 6.869, com mais de 900 pessoas em unidades de cuidados intensivos, registando-se ainda mais de 300 mortes em dois dias (28 e 31 de janeiro).

Após a Delta, a variante Ómicron, que chegou a Portugal no final de 2021 e mais transmissível, foi responsável pela mais recente vaga pandémica que levou Portugal a bater novos máximos de casos positivos, mas sem provocar a pressão sobre os serviços de saúde que se tinha verificado com a Delta.

Os cerca de nove milhões de pessoas com a vacinação completa e os cerca de seis milhões com a dose de reforço, assim como os mais de 3,2 milhões que já foram infetados, permitiram que a resposta do SNS se mantivesse controlada perante a Ómicron, variante que os especialistas consideram que também causa doença menos grave.

O ritmo de contágios sem paralelo provocado pela Ómicron levou a que Portugal precisasse de apenas 22 dias para passar de dois para três milhões de infeções, quando foram necessários mais de 22 meses para atingir os primeiros dois milhões de casos positivos.

Na prática, entre as pessoas vacinadas e as que foram infetadas, a população portuguesa terá agora algum tipo de imunidade ao coronavírus, prevê o Instituto Superior Técnico, uma situação epidemiológica inédita e que pode fazer com que Portugal entre no terceiro ano da pandemia com a renovada esperança de um regresso à normalidade.

*LUSA

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