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Casa do Brasil assina protocolo com a Mutualista Covilhanense para partilha e dinamização do balcão do migrante na Covilhã

A Casa do Brasil – Terra de Cabral assinou no passado sábado, dia 5, um protocolo com a Mutualista Covilhanense no sentido de partilhar e dinamizar o Balcão do Migrante

“Há muitas e diferentes guerras”, defendeu João Morgado.

“Umas são feitas com exércitos, outras com gangues de rua, com criminalidade, outras com depressões e instabilidades económicas… cada um sabe, aquilo que o levou a fazer as malas, a separar-se da família e a rumar a outro país. São decisões difíceis, por isso cada um sabe da sua guerra… os brasileiros sabem das suas.”

Citando números do SEF, o presidente da Casa do Brasil disse que, em 2021, existiam 210 mil brasileiros a morar legalmente em Portugal.

Chegaram, não para retirarem emprego aos portugueses, sublinha, mas para dar vitalidade a um país envelhecido.

Durante a sessão

“Sim, é preciso travar a saída de jovens. Sim, é preciso ajudar as famílias portuguesas a terem condições para aumentar a natalidade. Mas ainda assim, seremos um povo envelhecido, e estaremos deficitários em população activa”, adianta.

João Morgado apresentou mesmo as conclusões de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que diz: “que para manter a actual população ativa, Portugal precisa de 75 mil novos imigrantes adultos por ano – o que ainda está longe de acontecer.”

Assim que, defende, receber emigrantes brasileiros – e outros -, “não é um favor, pois está provado que precisamos deles. E é uma forma de honrar “todas as gerações de portugueses que em tempo foram para o Brasil e aí puderam também reconstruir as suas vidas e encontrar uma nova pátria”.

Para mais, sublinha o presidente da Casa do Brasil, o perfil dos emigrantes mudou nos últimos anos.

“Mais do que a necessidade de sobrevivência básica, hoje muitos dos imigrantes brasileiros chegam até nós com estudos, com a vida estruturada, com capacidade de integrar o ensino e a investigação, com capacidade empreendedora para montar empresas e desenvolver negócios. Além do mais, são uma comunidade que na sua grande maioria, se apresenta pacífica, com boa capacidade de integração a que não é alheio, a língua em comum e uma cultura há muito partilhada.”

O evento contou com a presença de várias entidades como o SEF, PSP, GNR, IEFP, Casa do Pessoal da UBI, Lions da Cova da Beira… e João Morgado aproveitou o momento para pedir a sua colaboração com o Balcão do Migrante e para lançar um apelo:  “Este não é um trabalho fácil. Tudo o que envolve a natureza humana, confronta-nos com o bom e com o mau das pessoas. Vocês melhor que ninguém sabem isso. Mas, não deixemos que os erros de alguns, prejudiquem a limpeza de alma com que outros chegam até nós.”

Nelson Silva, presidente da Mutualista covilhanense, mostrou a disponibilidade do Balcão do Migrante para estar ao serviço da sociedade e apoiar casos de emergência, como, por exemplo, refugiados da Ucrânia.

E sublinhou a acção social e de solidariedade que tem sido apanágio da Mutualista.

Recordando que o Balcão do Migrante é fruto de uma candidatura da Mutualista, Covilhanense, aprovada pelo FAMI – Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração,com o apoio do ACM – Alto Comissariado para as Migrações, e garante apoio documental, jurídico, social e cultural aos migrantes na Cova da Beira. Tem coordenação de Ígor Lopes e tem Paula Charro como técnica.

O presidente do Sindicato dos trabalhadores do SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, defende que: “emigrantes não constituem perigo para a sociedade de acolhimento, não se tendo registado aumento de criminalidade. E numa cidade como a Covilhã, um Balcão como este pode fazer a diferença, na hora de acolher e dar aconchego quem vem de fora. Acácio Pereira terminou com um poema de António Gedeão: “Minha aldeia é todo o mundo. Todo o mundo me pertence. Aqui me encontro e confundo com gente de todo o mundo que a todo o mundo pertence…”

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