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Caféde recebeu Palestra da Real Associação da Beira Interior

A Ordem dos Templários – Caféde Terra Templária”

A Real Associação da Beira Interior, no dia 04 de Abril, organizou uma palestra com apoio da União de Freguesias de Póvoa de Rio de Moinhos e Caféde, no edifício da Junta de Freguesia de Caféde.

O tema da palestra foi “A Ordem dos Templários – Caféde Terra Templária”, os oradores convidados foram o professor, historiador André Gonçalves e o professor e historiador Hermínio Esteves.

Na Mesa estiveram os oradores, a Presidente da União de Freguesias de Póvoa de Rio de Moinhos e Caféde – Ana Sofia Ramos Pereira, e o Grande Secretário da Real Associação da Bieira Interior – Rui Mateus.

Nos lugares de destaque esteve o Grão – Prior de Portugal da OSMTH – Paris – Francisco Moção Leão, o Grão – Prior Ibérico da OSMTHU – Luís de Matos, o Grão – Prior de Espanha da OSMTH – Magnus Magisterium – Francisco de Miguel Fernández e o Grão – Prior de Portugal da OSMTH – Magnus Magisterium – João Magro.

Também estiveram presentes o Vice-Presidente / Secretário da União de Freguesias de Póvoa de Rio de Moinhos e Caféde – Sérgio Silva e a Tesoureira da Unão de Freguesias de Póvoa de Rio de Moinhos e Caféde – Paula Esteves Dias.

ANDRÉ GONÇALVES:

Iniciou a palestra referindo marcos importantes da história da Ordem do Templo.

Durante os séculos XI e XII, salientou 1095 com o apelo do papa Urbano II para a reconquista de Jerusalém e 1096/109, período da concretização da 1ª cruzada.

Foi na sequência desta que em 1118 foi fundada, por 9 Cavaleiros, a Ordem dos Templários, sendo o primeiro Grão – Mestre – Hugo de Payens -, a qual foi reconhecida pela Santa Sé e o Papa Honório II, em 1128, no Concílio de Troyes.

Neste mesmo ano já se regista a sua presença no Condado Portucalense.

Conforme é citado por Manuel da Silva Castelo Branco, os Templários no século XIII deram um grande contributo para o povoamento de Caféde e no néculo XVI, por decisão do Rei Dom Manuel I, Caféde passa a fazer parte da Comenda dos Escalos de Cima, sempre sob influência templária.

André Gonçalves, destacou outras grandes datas dos séculos XII e XIII a respeito da Ordem dos Templários, nomeadamente 1139 (obediência exclusiva ao Papa), 1146 (adopção da capa branca com a cruz vermelha), 1252 (ameaça por parte do Rei Henrique III de Inglaterra de confiscar terras à Ordem dos Templários) e 1291 (queda de Jerusalém e o início do declínio dos Templários).

Em 1305, a eleição do Papa Clemente V e o “Cativeiro de Avinhão”, abriram caminho ao processo contra os Templários, tendo o último Grão – Mestre dos Templários – Jaques de Molay – sido queimado na fogueira em 1314.

Na sequência da extinção da Ordem dos Templários o Rei Dom Dinis I pediu ao Papa a continuidade da Ordem em Portugal.

Desse pedido resultou um processo concluído em 1319 com a instituição da Ordem de Cristo, a qual teve grande influência e importância em Portugal, patentes na presença da sua cruz em vários monumentos e nas bandeiras dos navios que protagonizaram a grande epopeia dos descobrimentos.

Entre os símbolos Templários/Ordem de Cristo salientam-se a bandeira, o selo e o equipamento militar e os seus vestígios estão presentes no castelo de Tomar, no Convento de Cristo, no Castelo de Castelo Branco e a sua cruz encontra-se em diversos edifícios, nomeadamente, na zona de Castelo Branco.

HERMÍNIO ESTEVES :

O Condado Portucale fundado por Vimara Peres em 868. O Condado Portucalense oferecido ao Conde Dom Henrique de Borgonha em 1095.

Os Templários chegam a Portugal com Dona Teresa de Leão em 1125, 3 antes da sua oficialização pela Santa Sé e o Papa Honório II.

Em 1126 Dona Teresa doou aos Templários a Vila da Ponte da Arcada além de outras 17 doações. Em 14-IV-1128 Dona Teresa dou-a aos Templários o Castelo de Soure, local da sede dos Templários em Portugal até 1147.

Em 1129 Dom Afonso Henriques aparece como Irmão da Ordem dos Templários.

Em 1139 0 Papa Inocêncio II, concede grandes privilégios à Ordem dos Templários com a Bula Omne datum Optimus.

Em 1147 com ajuda da Ordem dos Templários e parcialmente com ajuda da Ordem de Cister Dom Afonso Henriques conquista Santarém, nesse ano a Sede passa de Soure para Santarém.

Os Templários eram notáveis monges / guerreiros que nunca se rendiam.

Em 1209, Fernando Sanches dou aos Templários a Vila Franca da Cardosa, em 1214 o Rei Dom Afonso II dou-a aos Templários a Herdade da Cardosa.

Em 1199 doação aos Templários da Açafa.

Em meados do Século XIV, possuíam um vasto território com as terras de Idanha à Gardunha, o planalto de Castelo Branco até ao Tejo, Cova da Beira, terras de Ródão e Vila de Rei.

A Comenda de Castelo Branco: Mercóles, Belgaio, Palvarinho, Caféde, Escalos de Cima, Mata, Alcains, Escalos de Fundo integrados na Granja da Tolosa.

A presença Templária em terras do actual Distrito de Castelo Branco.

HERMÍNIO ESTEVES:

Começou por referir a fundação do Condado de Portucale de Vimara Peres e núcleo original em Guimarães (868), para depois salientar a chegada de Henrique de Borgonha que, ao casar com D. Teresa, filha bastarda de Afonso VI de Leão e Castela, recebeu o governo do Condado Portucalense em 1095.

Os Templários chegam a Portugal com Dona Teresa de Leão, viúva do conde D. Henrique, em 1125, três anos antes da sua oficialização pela Santa Sé e o Papa Honório II.

Em 1126 Dona Teresa doou aos Templários a Vila da Ponte da Arcada além de outras 17 doações.

Em 14-IV-1128, três meses depois do Concílio de Troyes, Dona Teresa doou aos Templários o Castelo de Soure, que foi sede dos Templários em Portugal até 1147, ano da conquista de Santarém, na qual os Templários participaram e para onde passou a sede da Ordem.

Os Templários participaram ainda nas batalhas de Santarém, Lisboa, Sintra, Almada, Palmela, Alcácer do Sal, Évora e Beja.

Em 1129 Dom Afonso Henriques aparece já como Irmão da Ordem dos Templários.

Destacou a importância de S. Bernardo de Claraval na organização da Ordem e na definição dos princípios básicos que deviam nortear a sua actividade.

Foi a S. Bernardo que D. Afonso Henriques solicitou a instalação em Portugal da Ordem de Cister, cujo primeiro núcleo monástico se estabeleceu em Alcobaça.

Em 1139 o Papa Inocêncio II, concede grandes privilégios à Ordem dos Templários com a Bula Omne datum Optimus.

Os Templários eram notáveis monges / guerreiros que nunca se rendiam. uma força militar única, já que um templário nunca se rendia, aceitava a morte como um prémio, lutava antes pelos bens sobrenaturais do que pelos bens terrenos, como também uma força moral inigualável. (…) Rodeando o rei os seus mestres e freires-cavaleiros de elite, instauravam um padrão ético e cavalheiresco incitante e fascinante, na subordinação dos valores materiais aos espirituais”. (António Quadros, Portugal, Razão e Mistério, vol. 1, Lisboa, 1999, p. 175).

No início do séc. XIII, no ano de 1209, Fernando Sanches faz «doação aos Templários de uma herdade que ele chama Villa Franca da Cardosa».

Fernando Sanches seria filho de D. Garcia Mendes, sobrinho de D. Gonçalo Mendes e de D. Rodrigo Mendes, vultos da nossa nobreza dos primeiros tempos da nacionalidade, descendentes por bastardia do Conde D. Henrique.

Os Templários foram a primeira Ordem Militar a estabelecer-se e a receber terras na região (1165).

Durante os séculos seguintes, e especialmente durante o séc. XIII, graças à Reconquista, em que tiveram papel preponderante, foram aumentando as suas terras e as suas rendas.

Além de várias vilas e aldeias, possuíam diversas propriedades – casais, herdades, vinhas e chãos – destacando-se as herdades de Vide, Aldeia Nova, Silvares, Cabeço da Atalaia, Castelo Branco; um chão na vila da Covilhã, onde a Ordem em 1230 possuía já uma Comenda, um casal em Alcongosta, e duas vinhas, uma em Castelo Novo e outra em Monsanto.

Em meados do Século XIV, os domínios da Ordem na região englobavam um vasto território que incluía as terras de Idanha à Gardunha, o planalto de Castelo Branco até ao Tejo, Cova da Beira, terras de Ródão e Vila de Rei.

Com a extinção da Ordem dos Templários, foi instituída a Ordem de Cristo pelo Rei D. Dinis em 1318 e confirmada pela Bula Ad ea ex quibus dada pelo Papa João XXII em Avinhão, em Março de 1319.

A Bula foi emitida a pedido do Rei D. Dinis para que a Ordem sucedesse à Ordem do Templo, extinta em 1311 pelo Papa Clemente V.

A Comenda de Castelo Branco: Mercóles, Belgaio, Palvarinho, Caféde, Escalos de Cima, Mata, Alcains, Escalos de Fundo integrados na Granja da Tolosa.

A presença Templária em terras do actual Distrito de Castelo Branco ficou representada nos seus castelos, que se destacam os de Castelo Branco, Castelo Novo, Idanha-a-Velha, Idanha-a-Nova, Penamacor, Proença-a-Velha e Ródão.

 

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