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Garimpo ilegal em território indígena do Brasil cresceu 46% em 2021

A exploração mineira ilegal aumentou 46% no território demarcado dos indígenas da etnia Yanomami no Brasil face ao ano de 2020, informou hoje um relatório da divulgado pela organização não-governamental Hutukara Associação Yanomami.

Com uma área equivalente à de Portugal, distribuída entre os estados brasileiro de Roraima e Amazonas, o território voltou a ser alvo de recorrentes ações de devastação desde 2019, quando o atual Presidente do país, Jair Bolsonaro, iniciou o seu Governo que defende publicamente a exploração mineira em áreas protegidas da amazónia brasileira.

Segundo o relatório “Yanomami sob ataque – Garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e propostas para combatê-lo” em 2020 a exploração mineira ilegal no território destes indígenas já havia registado um salto de 30% face ao ano anterior.

De 2016 a 2020, a mineração ilegal no território Yanomami cresceu nada menos que 3.350%, e afeta 273 das 350 comunidades que vivem na reserva, abrangendo mais de 16.000 pessoas, ou seja, 56% da população total.

Além da devastação causada por explorações ilegais nos rios e matas devido ao uso de produtos tóxicos para extração como o mercúrio, o relatório salientou que “a extração ilegal de ouro [e cassiterita] no território Yanomami trouxe uma explosão nos casos de malária e outras doenças infetocontagiosas, com sérias consequências para a saúde e para a economia das famílias, e um recrudescimento assustador da violência contra os indígenas”.

O aumento da exploração ilegal da terra indígena também tem provocado um grande aumento da violência, incluindo abuso sexual de mulheres e crianças que são aliciadas por mineiros em troca de comida.

O cenário repete a invasão garimpeira da década de 1980 ao território deste povo originário do Brasil, cuja demarcação completa 30 anos em maio.

Na época, o território foi invadido por mais de 40 mil garimpeiros. As tensões entre índios e garimpeiros levaram ao massacre de indígenas que acabou julgado como crime de genocídio.

“Os algozes continuam os mesmos, mas com um poder de destruição muito maior”, pode ler-se no relatório.

O documento denuncia diversos ataques de criminosos contra comunidades indígenas e traz uma cronologia completa do assédio ao Palimiu em 2021 – região onde existe uma forte atuação do grupo Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior fação criminosa do país.

O relatório também traz registos aéreos feitos no final de janeiro de 2022 que mostram a proximidade cada vez maior do garimpo ilegal das comunidades indígenas, além de grandes áreas destruídas da floresta amazónica, degradação dos rios e equipamentos de grande valor usados pelos mineradores como aeronaves, escavadeiras e helicópteros.

Atualmente, a lei brasileira proíbe garimpo, agricultura e outras atividades económicas não relacionadas com a cultura e a subsistência dos povos originários dentro dos territórios indígenas. No entanto, o Governo brasileiro, que defende exploração económica da maior floresta tropical do mundo, enviou um projeto no Congresso do país para permitir estas atividades.

A Terra Indígena Yanomami é o maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares, e abriga oito etnias, entre elas os Yanomami e os Ye’kuana, além de outros povos até então não contactados pelo homem branco.

*LUSA

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