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Paixão e Morte de Cristo nas Poesias de Frei Agostinho da Cruz temas de palestra em Castelo Branco

Levada a efeito pela Real Associação da Beira Interior, teve lugar no passado dia 07 de Abril e na Biblioteca Municipal de Castelo Branco a anunciada palestra – recital pelo poeta António Salvado, sob o título “Já Leram os poemas de Frei Agostinho da Cruz dedicado à Paixão e à morte de Cristo?”.

Começou António Salvado por seriar alguns factos mais relevantes e curiosos da biografia de Frei Agostinho da Cruz.

Nascido em 1540, em Ponte da Barca, 10º filho de uma progénie de 11 irmãos, o primogénito dos quais foi o poeta Diogo Bernardes, ao qual Frei Agostinho da Cruz dedicaria várias composições, e poeta escolhido pelo Rei Dom Sebastião I para futuro cantor das façanhas deste Rei no norte de África (o que a Batalha de Alcácer – Quibir impediu)…Nascido Agostinho Pimenta terá recebido formação intelectual (e, certamente, de outras naturezas) em casas da mais alta nobreza portuguesa, acolhedoras dos dotes poéticos que começavam a despertar no futuro monge.

Mas, em consequência de várias influências teológicas e de uma natural vocação, a verdade é que, com 20 anos de idade, abraça a rigorosa ordem franciscana, tornando-se, então, Frei Agostinho da Cruz.

Vive, depois, em alguns conventos daquela Ordem, até que, nos últimos anos de vida e após muita insistência, consegue autorização para permanecer na Serra da Arrábida, sua fiel e íntima “companheira” e fonte, também, de inspiração.

Na serra, atravessa as mais profundas experiências motivadas pela solidão, pela contemplação, pela consciencialização de tudo o que foi negativo no seu passado, encaminhando-se para uma purificação que fará do monge um poeta asceta – místico.

A sua morte, ocorrida em 1619, deu origem a sentidas manifestações de fé por parte de um pobre que ele nunca esquecerá e que ajudará a mitigar miséria e pobreza.

O corpo regressou ao convento da Arrábida e, por ocasião dos 400 anos do seu nascimento, na serra foi erguido um monumento evocativo.

Alongou-se, em seguida, António Salvado na caracterização das altas qualidades do poeta Frei Agostinho da Cruz, pormenorizando o facto de, na história da poesia portuguesa e, em particular, na mesma história de teor religioso.

Frei Agostinho da Cruz ocupar lugar cimeiro e, em certos aspectos até, lugar único naquela história.

E esta realidade devida não só a uma vocação muito marcada do poeta, não apenas ao facto de Frei Agostinho da Cruz ser homem culto, conhecedor; pois, das formas poéticas peninsulares (clássicas e mais tradicionais; mas também mais ainda de profundo sentimento a conduzir ao “aproveitamento” da poesia como meio de expiação e redenção.

Aliás, julgamos que um dos momentos mais interessantes na palestra de António Salvado terá sido aquele em que o poeta albicastrense, servindo-se de passagens de poemas de Frei Agostinho da Cruz, nos traçou o itinerário ascético – místico do monge capuchinho – um percurso que percorre todos os degraus na “íntima” escada (remorso, sentimento de culpabilidade, mortificação, expiação, redenção): Aliás, teve o monge- poetas bem consciência no que diz respeito à materialização pela palavra do sentimento de si (na expressão de António Salvado) ao aproximar-se do Divino: “Mal se pode escrever o que se sente (no meio do silêncio sepultado), consumido de amor em fogo ardente”. Mas é Frei Agostinho da Cruz que pensamos quando o poeta, em composição consagra ao seu querido São Francisco, escreve: “Como é próprio do amado desejar-se (na cousa amada todo transformado) e vós com tanto amor o desejaste) Deus, de vosso ardor santo namorado (quis também nesse hábito encerrar-se) e vós no próprio Deus vos transformaste”.

Para finalizar, procedeu António Salvado a uma pormenorizada análise e comentário por vezes exaustiva de poemas de Frei Agostinho da Cruz, que foram lidos por Maria de Lurdes Gouveia Barata, Maria de Lurdes Gonçalves Riscado, Maria Adelaide Correia, Maria Adelaide Salvado e Manuel Costa Alves.

O evento que teve o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco, onde a Real Associação da Beira Interior teve representada pelo seu Vice-Presidente, Luís Duque-Vieira.

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