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Ponto de Vista… por António Justo

Finlândia e Suécia solicitam precipitadamente a admissão à NATO

50° Aniversário da Política alemã de Mudança através de Aproximação

Com a solicitação da Finlândia e da Suécia de entrada na Nato, alarga esta, legitimamente, as suas fronteiras na direcção da Rússia! Este passo significa que ainda estamos a prosseguir com as rotineiras medidas que nos conduziram à situação atual.

António Justo

Para a segurança na Europa, precisaríamos de uma comunidade de defesa europeia que representasse o espírito e os interesses europeus, naturalmente também com a Suécia e a Finlândia. Está-se só a reagir e não a agir, a ser impulsionados, sem concepção nem reflexão e, na consequência, a ser motivados apenas por factores de medo e de poder! Na ausência de um conceito e de uma estratégia europeia comum adaptamos os nossos interesses aos dos USA, cuja política é imperialista, tal como tem sido a da Rússia. A política da UE só reage em vez de olhar para o futuro no sentido da Europa! Precisamos de um lugar e de um espaço onde seja possível começar a empreender-se uma política de paz para a Europa e para o mundo!  É tempo de tentar novos passos em vez de continuar a marcar passo na História!

Há precisamente 50 anos, a Alemanha iniciou os tratados de Leste com a Rússia (tratado de Moscovo e Varsóvia ratificado pelo Parlamento em 17.05.1972). A Alemanha iniciou então uma política de “mudança através da aproximação”, que assegurou a paz na Europa durante os últimos 70 anos. A Alemanha aceitou as fronteiras do pós-guerra, declarando também a renúncia aos antigos “territórios orientais”(fez também os acordos com a RDA e a Checoslováquia). Na altura, tudo isto, na opinião pública era apreciada sobretudo como uma traição à pátria.

A política de aproximação de Willi Brandt e a disponibilidade de Helmut Schmidt para negociar, com as costas protegidas pelos americanos, foi uma política que seria hoje muito benéfica para a Europa se esta não estivesse condicionada sobretudo aos interesses do distante  irmão rival do outro lado do Atlântico, que tinha e tem por razões imperialistas de Estado o objectivo de construir barreiras e não pontes entre a Europa e a Rússia!

A política alemã, outrora seguida, de aproximação com a Rússia levaria a Europa a encontrar, de novo, o seu lugar específico e relevante na história (um lugar de sinal pacífico para o mundo, depois dos seus imperialismos nacionais)! Uma Europa, de alma dividida, sem projecto, sempre olhou com desconfiança para a Alemanha, preferindo, em vez de entrar numa convergência europeia, aliar-se aos EUA, ficando na ilusão que se revelando contra a Alemanha defendia interesses próprios e europeus! De facto, na EU impôs-se o espírito anglo-saxónico que depois se expressou de forma cínica no Brexit! Nesta atitude a Europa continuará a ser um gigante com pés de barro! (Pessoas de pensamento apressado não identifiquem logo esta apreciação como tendo algo a ver com identificação a Alemanha!)

É verdade que as potências mundiais jogam na sua perspectiva de potências mundiais, e a Europa está no meio delas sem que os políticos da Europa assumam mais responsabilidade para que, por um lado, a ligação ocidental não se perca, e, por outro, fazer com que a ligação oriental seja impulsionada. Só desta forma a Europa pode chegar à sua própria política e iniciar assim uma nova cultura que sirva a paz mundial. Os laços unilaterais com o imperialismo, sejam eles russos ou americanos, adiam o desenvolvimento da Europa, o que deveria conduzir a uma política de paz real.

De momento, ao identificarmo-nos com os imperialismos russos e americanos, e ao alinharmos apenas pelos interesses da Nato estamos a adiar a Europa a perder o comboio da história europeia e a negligenciar a oportunidade de se iniciar uma política de solidariedade comum com todos os povos numa atitude de paz!

Chegou a hora de uma Europa verdadeira e não ser mera EU anglo-saxónica; essa hora seria tentar novos passos e no atual conflito iniciar conversações e estabelecer laços!

As economias americana e alemã podem pagar a guerra e ganhar dinheiro com ela, mas de que serve esta força ao homem da rua e aos pequenos estados?

De momento a União Europeia encontra-se alienada apostando no adiamento da construcção de uma Europa digna, provocando a entropia social e a dependência desonrante! Europa teria de assumir um papel e missão próprios. Em vez disso, os Os Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE aprovaram em 16.05 mais 500 milhões de euros para a entrega de armas e equipamento às forças armadas ucranianas. Isto eleva o financiamento da UE de ajuda militar para 2 mil milhões de euros. Os fundos são provenientes do “Mecanismo Europeu de Apoio à Paz”(1)!

Para se iniciar uma cultura de paz terá de se ousar mudança através de aproximação e não de confrontação!

*António da Cunha Duarte Justo – Pegadas do Tempo

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