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“Vou ler, vou interiorizar e não vou comentar”, diz Marcelo sobre artigo de Cavaco

Cavaco Silva desafia o primeiro-ministro a “fazer mais e melhor” nesta legislatura com as condições de que dispõe.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que ainda não leu o artigo do seu antecessor Aníbal Cavaco Silva dirigido ao primeiro-ministro, António Costa, mas que vai ler e interiorizar, sem comentar.

Enquanto passeava pela Festa do Livro nos jardins do Palácio de Belém, em Lisboa, com o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, interrogado sobre se já leu o artigo de Cavaco Silva publicado na quarta-feira de manhã no jornal ‘online’ Observador, o chefe de Estado respondeu repetidamente: “Não li”.

Marcelo Rebelo de Sousa alegou que ainda não teve tempo, mas assegurou que não deixará de ler o texto do seu antecessor: “Ah, isso nunca perco. Eu aprendo sempre com os sucessivos presidentes da República. E aprenderei com os próximos, se estiver vivo muito tempo”.

“Mas não li, ainda não li. Também desde já digo o seguinte: vou ler, vou interiorizar e não vou comentar, porque eu nunca comento antigos presidentes da República nem futuros presidentes da República”, acrescentou.

Por sua vez, Pedro Adão e Silva se afirmou aos jornalistas: “O ministro da Cultura foi muitos anos, como sabe, comentador. Agora já não se dedica ao comentário. Mas eu leio sempre tudo, sou um leitor compulsivo”.

Num artigo em forma de carta aberta a António Costa, intitulado “Fazer mais e melhor do que Cavaco Silva”, o ex-chefe de Estado felicitou António Costa pela maioria absoluta do PS nas legislativas de 30 de janeiro, passados quatro meses, pedindo desculpas pelo atraso.

“Foi uma vitória de sua pessoa como líder do PS. Somos agora colegas na que a conquista de maiorias absolutas diz respeito”, escreveu Cavaco Silva.

Depois, registrando o período em que governou também com absoluta maioria – entre 1987 e 1995 – Cavaco Silva desafiou o primeiro-ministro a “fazer mais e melhor” nesta legislatura com as condições de que dispõe.

O antigo presidente do PSD reclamou ter governado com “muita persistência” e “espírito de diálogo” para estabelecer “consensos importantes” com a oposição, destacando revisões de 1989 e 1992, e com “intenso, profundo e frutuoso diálogo” com os parceiros sociais, referindo que “foi assinado quatro foram quatro acordos de concertação social”.

Admitindo que nalguma medida “a falta de apoio do PS a algumas reformas” poderia ser atribuída “à inabilidade ou à insuficiência de diálogo”, Cavaco Silva acrescentou: “Sendo conhecido a sua vontade de fazer reformas e habilidade no diálogo com o maior partido da oposição no sentido de como concretizar, certo que, com o seu governo de maioria absoluta, tudo correrá na perfeição”.

“Nenhum partido, nenhuma organização sindical, empresarial, social, cultural ou ambiental se queixará de falta de diálogo e de abertura do governo para aceitar as suas propostas; como reformas que o país urgentemente precisa ser feito no clima de toda a tranquilidade política e a decadência relativa do país em termos de desenvolvimento será revertida”, prosseguiu, sempre falando diretamente para o primeiro-ministro.

Cavaco Silva associou a governação até agora de António Costa a uma “asfixia da democracia” e à ideia de que, “para os socialistas, o Estado é deles”, declarando-se certo de que isso vai mudar.

“Agora, retirado da vida política ativa mas preservando os meus direitos cívicos, estou certo de que, encerrada a fase da ‘geringonça’, o seu governo de maioria absoluta fazer mais e melhor do que as maiorias de Cavaco Silva”, remapeou o antigo Presidente da República.

*LUSA

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