Artur Mendes sublinhou que o Boom Festival é o acontecimento cultural com mais diversidade do ponto de vista das nacionalidades: 85% do público é estrangeiro.

Nesta edição, vão estar representados 177 nacionalidades, com destaque para os franceses, alemães e israelitas.

“Os neerlandeses, suíços, suecos e espanhóis também marcam presença em grande número. Temos um visitante norte-coreano e três polinésios. É importante notar que não é o contingente específico de um país que define o Festival, nem é isso que nos interessa. O importante é a diversidade de pessoas de todo o mundo que vivem a experiência do Boom e que a repetição edição após edição”, defendeu.

Já o programa da edição deste ano apresenta 21 palcos oficiais, 544 artistas, 181 facilitadores, 69 assistentes e 100 terapeutas.

No total, são 894 pessoas que compõem o programa de 2022.

O extenso cartaz inclui atuações de artistas como Agentes do Tempo, Astrix, Acid Arab, Angélica Salvi, Burnt Friedman com João Pais Filipe, Club Makumba, Fogo Fogo, Kimi Djabaté, Norberto Lobo ou Pantha du Prince.

“Muitos visitam-nos por causa do Yoga, das práticas de bem-estar, da arte, das ‘oficinas’, da meditação, mas outros ‘boomers’ vêm simplesmente aqui para aproveitar o momento. O Boom também é feito de pequenos cantos, jardins detalhados, arquitetura temporária, projetos ecológicos e uma vibração humana muito específica. A ideia de comunhão é o que nos move. A experiência Boom é sobre ser Boom, não assistir só”, frisou Artur Mendes.

O responsável pela organização realçou que está o ano inteiro na herdade, onde tem uma equipa permanente e o trabalho é diário.

“Deixe-me dar-lhe alguns exemplos do que fazemos: construímos uma estação de tratamento de água com capacidade para sete milhões de litros para tratar a água cinza dos chuveiros do festival e reutilizá-la para irrigação, para apoiar a regeneração e reflorestamento de Boomland. Construímos 112 novos chuveiros a partir de plástico reciclado e 94 novas casas de banho, algumas feitas com plástico reciclado e outras com materiais reciclados a partir de interiores de automóveis”, sublinhou.

A organização do Boom Festival vai continuar a limitar os horários de banho, como forma de ajudar a preservar a água e tem wc 100% composta.

Após tratamento e análise, o composto é devolvido à terra para criação de solo na parte florestal.

“Como disse, estamos todos os dias na herdade, trabalhamos todos os dias, cuidamos do terreno. Como árvores e a vegetação são tratadas e respeitadas. Desde 2015, o programa de reflorestação do Boom plantou 925 árvores e 120 unidades arbustivas”, afirma.

O transporte dos ‘boomers’ é outro aspeto ao qual a organização está atenta particularmente. Na última edição, em 2018, cerca de 30% do público deslocou-se através do ‘Boom Bus’, iniciativa criada pelo evento em 2006.

Para usufruir deste serviço, basta reservar o bilhete e apanhar o ‘Boom Bus’ numa das paragens organizadas em Portugal, mas também em Espanha, França ou na Suíça, e é mais uma forma de promover e concretizar a sustentabilidade, neste caso da mobilidade partilhada.

“Ainda não temos os dados dos dados finais deste ano, mas é uma iniciativa que vamos continuar a promover. O esforço para reduzir emissões, contudo, não se esgota aí. Promovemos, em colaboração com a Liftshare, a cedência de lugares vagos em veículos de ‘boomers’ que se deslocam com espaço disponível para partilha”, explicou Artur Mendes.

Este ano, e pela terceira edição consecutiva, o festival vai ter também o ‘Boom Bike Village’, que recebe os ‘boomers’ que viajam de bicicleta.

Em 2018, foram contabilizados mais de uma centena de ‘Boom Cyclists’.

À agência Lusa, Artur Mendes explicou que o fato de estar no interior do país é um fator que valoriza, distingue e define o Boom Festival.

“Estamos muito contentes com esta escolha. Não somos nem mais um festival de música, porque somos muito mais do que isso. Não propomos apenas concertos, nem estamos onde a maior parte das pessoas está o ano inteiro, ou seja, nas grandes cidades. Claro, tudo é mais fácil em Lisboa ou no Porto, porque existe massa crítica, os sistemas estão montados, como as infraestruturas públicas estão garantidas, mesmo um grande concerto com 60 ou 70 mil pessoas são encaradas com, digamos, alguma normalidade pelas autoridades”, frisou.

Este responsável entende que no interior “é preciso mais trabalho, mais esforço, mais acompanhamento e muito mais investimento pessoal e financeiro”.

Contudo, o esforço tem compensado: “As pessoas conhecem-nos, sabem que não estamos de passagem. Sabem que devolvemos à região”.

Segundo os dados disponibilizados pela organização, entre outubro de 2017 e outubro de 2018, 84% das pessoas que trabalharam para o Boom eram portuguesas e um total de 13,3% (214) do pessoal empregado era da região de Castelo Branco.

Na edição 2018 do festival, do total de 203 fornecedores de construção (equipamentos, ferramentas e materiais), 183 eram nacionais (90%) e 63 da região (31%).

Já os fornecedores de restaurantes e bares (a organização fornece a todos os restaurantes uma lista de fornecedores nacionais e regionais), 73% eram nacionais.

“Não estamos aqui para importar talento, usamos e incentivamos o da região. Não estamos aqui para importar alimentos e outras matérias-primas, procuramos sempre usar primeiro as da região. Não estamos aqui para usar os recursos públicos da região, tratamos as águas, moderamos os consumos energéticos, reduzimos ao máximo a pegada. Viver e estar no interior deve ser isto. Um compromisso com a região. O Boom dura uma semana, mas a nossa relação com Idanha dura e prolonga-se o ano inteiro”, sustentou.

Os contactos entre a organização e a Direção-Geral da Saúde (DGS) são regulares e intensificam-se durante o festival.

“Ainda bem para todos que a covid-19 passou a uma fase endémica, porque é importante juntar as pessoas em acontecimentos culturais. O facto de o Boom ser ao ar livre e numa área tão grande, 180 hectares, é um fator que nos diferencia”, concluiu.

*LUSA