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Há mais alergias e é preciso diagnóstico correto e cumprir terapias

Presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica sublinha que “as patologias alérgicas, desde que controladas, não devem interferir significativamente com a qualidade de vida”

A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) reconhece que atualmente há mais casos de alergias e lembra a necessidade de fomentar um diagnóstico correto e a importância de manter a doença controlada, cumprindo as terapêuticas.

Há mais alergias e é preciso diagnóstico correto e cumprir terapias. Em declarações à Lusa a propósito da Semana Mundial da Alergia, que arranja hoje, o presidente da SPAIC, Manuel Branco Ferreira, sublinhou que “as patologias alérgicas, desde que controladas (…) não devem interferir significativamente com a qualidade de vida”.

“A nossa ideia é que o doente alérgico tenha uma qualidade de vida igual à dos outros. Um asmático pode ser campeão. Há campeões olímpicos que são asmáticos”, afirmou.

O especialista explicou que há mais casos de alergia hoje do que há 10 ou 15 anos, mas frisou que nem todas cresceram na mesma proporção: a alergia a fármacos cresceu 100%, passámos de 2 para 4% da população, a alimentar subiu 50% (de 4 a 5% para 6 a 7,5%) e a respiratória passou dos 26 a 27% para 30%.

“No caso das alergias respiratórias, a que mais existe em Portugal é aos ácaros e isso pode dever-se ao facto de estarmos mais em casa, logo, com uma maior exposição”, exemplificou.

“Quanto menos infeções temos, mais alérgicos ficamos”

Questionado sobre se o facto de a população ter andado de máscara durante estes dois anos de pandemia pode ter influência no aumento das alergias respiratórias, disse que a relação é especulativa.

“É mais lógico pensar que seja a tendência natural da população para desenvolver alergias e o facto de termos tido menos infeções respiratórias. É a chamada teoria da higiene: quanto menos infeções temos, mais alérgicos ficamos porque as infeções estimulam vias imunitárias que são antagónicas às vias da alergia”, acrescentou

Se nuns casos é especulativo, no caso da exposição, por exemplo, ao pelo do gato está comprovada.

“No caso da exposição ao pelo do gato, a proteção da exposição continuada está bem demonstrada”, disse o responsável, exemplificando: “crianças que sempre estiveram expostas a gatos, sem queixas, crescem e vão estudar para a Universidade na América e não vão aos fins de semana a casa. Quando vão a casa, nas férias de verão, 8, 9 10 meses depois de terem saído, e sem terem tido contacto com gatos, desencadeiam crises alérgicas”.

Na Semana Mundial da Alergia, subordinada ao tema “Respirar Melhor – a relação entre a asma e as outras doenças respiratórias”, a SPAIC vai promover diversas iniciativas ‘online’ – uma espécie de consultórios – onde em cada um dos dias dois alergologistas falam sobre dois temas e respondem a perguntas da audiência.

A asma, a diferença entre ter eczema ou pele atópica, o que anda no ar e provoca alergias, as vacinas para as alergias e as alergias alimentares são os temas em analise.

O presidente da SPAIC explicou que a alergia tem tendência genética e lembrou que as pessoas que têm vários familiares com problemas de alergia têm mais tendência para as desenvolver.

No entanto, frisou, “qualquer pessoa pode desenvolver alergias, se houver uma conjugação de alguns fatores, como uma exposição pontual muito intensa a uma determinada situação”.

O especialista recordou ainda que há alergias que começam (ou podem começar) na infância, como as respiratórias, mas outras manifestam-se mais na idade adulta, como as alergias a medicamentos.

“A alergia alimentar pode começar na infância, mas também há muita alergia alimentar que começa na idade adulta, a alimentos que as pessoas sempre comeram e que, a partir de determinado momento, há uma mudança na sua [do organismo] forma de responder (…) que, de um momento para outro, potencia o aparecimento da alergia”, afirmou.

De acordo com Manuel Branco Ferreira, “uma vez que aparece, a tendência é para continuar”, a não ser que se consiga modificar a resposta do organismo com as vacinas para a alergia.

“Com as vacinas para alergia conseguirmos modificar a forma do organismo reagir, pois os medicamentos o que fazem é diminuir a intensidade da resposta, não a modificam”, acrescentou.

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