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Terça-feira, Agosto 16, 2022
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Ponto de Vista… por António Justo

O Sul global está a chegar – vai ser grande o preço a pagar 

China-Índia-Vai ao lado da Rússia e do outro lado os EUA com a OTAN

O Ocidente, com os EUA a encabeçá-lo, julgava, com a queda da União Soviética (1991), ter-se chegado ao fim da história, cuja meta seria um mundo unipolar com os EUA a comandá-lo. A reacção desastrosa de Putin veio demonstrar que tinha deitado os foguetes antes da festa!…

António Justo

As sanções económicas castigam especialmente os países sancionadores e dobradamente as suas populações que terão ver o seu nível de vida reduzido.

Na Alemanha, políticos destacados como Sigmar Gabriel já se pronunciam a favor de horários de trabalho semanais mais longos. No jornal “Bild am Sonntag”, Gabriel anuncia que a Alemanha tem de preparar durante dez anos “nos que se tornará mais extenuante”, doutro modo não pode manter a prosperidade! (1) Associações também empresariais e economistas defendem a introdução da semana das 42 horas e a idade de reforma para os 70 anos!

O bloqueio econômico à Rússia quis ignorar a dependência da Europa (o nosso bem-estar) das matérias primas baratas e deste modo a política das sanções económicas colocadas em “para um de jogo” o próprio Ocidente…

Tudo isso é provocar um alinhamento geopolítico da Rússia com países asiáticos e com alguns africanos, proporcionando aos povos do Sul Global procurar nova orientação (3).

O bloco ocidental (OTAN) que antes vivia bem os serviços prestados pelo sul global terá de se contentar com uma concorrência (entre pobres e ricos) mais limitado ao seu bloco, uma vez que a Ásia e a Rússia seguem um outro caminho talvez mais solidário entre eles. Teremos China-Índia-Vai ao lado da Rússia contra a Hegemonia pretendida pela OTAN…

Os EUA queriam que a história acabasse neles, mas veem surgir um recomeço da História na Rússia e na China que parece iniciar a história de um mundo bipartido. A aproximação dos povos entre si não será fácil devido ao desequilíbrio na relação de poder entre eles. Em 2015, os EUA tinham um total de 4.855 bases militares no mundo (4). A maioria das instalações situava-se no território dos Estados Unidos, 114 situavam-se em territórios estrangeiros dos EUA. 587 bases foram localizadas no estrangeiro, 181 das quais na Alemanha (5) …

Em 2019 os 10% mais ricos da população de 57 países inquiridos em conjunto detinham cerca de 84% de 146 triliões de euros, o total dos activos financeiros líquidos. O 1% mais rico da população possuía quase 44% da riqueza, com uma média de activos financeiros líquidos por pessoa superior a 1,2 milhões de euros (6).

Um Estado que não será mais forte que a oligarquia perde a sua funcionalidade e não permite uma independência equilibrada e com ela a missão de servir o povo e o país.

Como oligarquias financeiras, embora invisíveis, governam o mundo e dos seus bancos internacionais disciplinam os países endividados de tal modo que a produção própria não pode conter as dívidas e assim se dependência a pagar colocando o cidadão numa situação de assalariado da finança internacional e os governos na mera posição de gerentes (de lembrar que os países ricos pagam à oligarquia internacional uma taxa de juro muito mais reduzida do que os países precários) . . A política bancária estabiliza a subordinação comum e impede assim qualquer mudança política séria nas sociedades. Os políticos, por sua vez, através dos governos financiam as grandes empresas endividadas com o dinheiro público(impostos de seus cidadãos); deste modo o sistema oligárquico é implementado devido à miscigenação de economia e política sempre à custa do bem-comum…

O modelo da China em que o Estado controla a nação e as finanças através dos seus 80 milhões de comunistas, afirma-se como verdadeiro concorrente do sistema ocidental se este não moderar o capitalismo e não mudar radicalmente a atitude dos governantes em relação ao bem-comum.

O problema a resolver seria: quem controla quem? Nem o sistema chinês com o seu controlo financeiro e social através dos burocratas comunistas, nem o sistema ocidental de controlo financeiro e diplomático pela força militar (NATO) dão resposta às necessidades humanas, na sua qualidade de pessoas e de sociedade. Ambos sistemas são selectivos e alienadores da pessoa e da comunidade, reduzindo-as a mero instrumento ou a mero meio para atingir um fim, quando o ser humano é, ao mesmo tempo, meio e fim, numa relação pessoa-comunidade e, como tal, não redutível apenas à qualidade de cidadão-sociedade! Há que inverter as categorias de poder e de servir, para se criar uma nova matriz político-económica que integre os interesses concorrentes, no sentido de servir todo o povo, independentemente do lugar geográfico ou ideológico onde ele se encontre!…

Doutro modo, o autoritarismo hegemónico continuará a servir-se da guerra fria para continuar a dividir o mundo em vez de assumir a função de o unir.

Se, depois da guerra na Ucrânia, as potências não se reconciliarem para construírem uma nova ordem mundial mais justa e humana, mal do sul europeu e do Sul Global (8).

*António da Cunha Duarte Justo

Notas e texto completo em Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7753

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