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Junta de Freguesia de Castelo Branco recebeu palestra

Organização da Real Associação da Beira Interior

A Junta de Freguesia de Castelo Branco e a Real Associação da Beira Interior, organizam uma palestra, no dia 29 de setembro, no edifício da Junta de Freguesia de Castelo Branco, subordinada ao tema “Francisco Vieira de Almeida – Filosofo, Escritor, político e Albicastrense”.

O orador convidado foi o investigar, historiador e professor Hermínio Esteves.

Na Mesa esteve o orador, o neto de Francisco Vieira de Almeida – António Vieira de Almeida, o Presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco – José Dias Pires e o Grande Secretário da Real Associação da Beira Interior – Rui Mateus.

Francisco Vieira de Almeida nasceu em Castelo Branco, a 9 de Agosto de 1888, filho de um funcionário do Ministério das Finanças.

Não frequenta a escola primária, tendo feito a aprendizagem relativa a essa fase de ensino em casa com o pai, prática que se reescursou com os filhos, Vasco e Pedro.

Fez os seus estudos liceais em Coimbra e veio a formar-se no Curso Superior de Letras, depois Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), onde se licenciou em Histórico-Filosóficas.

Leccionou História como professor supranumerário, no Liceu de Pedro Nunes.

Em 1915, com 27 anos, redigiu a sua tese de doutorado, A Impossibilidade da Negativa, um texto de “apenas” 29 páginas.

A edição impressa tem 60 páginas – a 1ª edição é de 1922 e a 2ª de 1972: (Separata da revista Ocidente Lisboa, vol. 82, 1972.

No rodapé da pág. 5 insere-se a seguinte nota da Redacção: «Homenageando a passagem do 10º aniversário da morte do seu Autor, apresentamos aos leitores desta revista e ao público em geral a 2ª ed. da dissertação extraída do vol. VIII, dos Arquivos da Universidade de Lisboa, 1922»).

O arguente acreditou que a leria durante o trajetória de comboio até Lisboa. Durante a leitura,

Em 1915 concorreu ao lugar de assistente do 4º grupo (História), na Faculdade de Letras de Lisboa, conseguindo o primeiro lugar entre os seis candidatos: Francisco Reis Santos, António Sardinha, Damião Peres, António Ferrão e Joaquim Correia Salgueiro.

Permaneceu neste Departamento de 1916 a 1922, altura em que transitou para o grupo de Filosofia, cabendo-lhe a regência de História da Filosofia Medieval.

Para Maria Antónia Palla, aluna de Vieira de Almeia nas cadeiras de Lógica e de História da Filosofia Medieval, esta “era o mais prestigiado, o meu melhor professor, muito irreverente. Começava sempre com uma história, um episódio com ligação ao tema que estávamos a estudar. Não tinha intenção de conhecimento debitar, mas de nos obrigar a pensar.” Daí a ideia de que Vieira de Almeida como professor não dava matéria para apontamentos, pois era a sua forma de leccionar.

Na década de 20 passa a evidenciar-se como cidadão interventivo, colaborando em várias publicações: Homens Livres, Revista de História, Seara Nova , Estudos Italianos em Portugal, Ocidente, O Instituto, Revista Filosófica, Revista de Portugal, etc.

No ano de 1932 passa a ser professor catedrático.

Admirador da cultura alemã e da Alemanha, alterando a sua posição em relação a este país, ao assistir à emergência do nazismo.

Na sua vasta obra filosófica, assumem particular relevo as obras  A Impensabilidade da Negativa (1922) e Pontos de Referência (1961), o seu último livro. Mas, entre esses dois marcos, escreveu diversas outras obras que iam da ficção – Colunata e Parábola Viva –, à poesia e à dramaturgia.

Nas suas obras filosóficas, Vieira de Almeida – de que se destacam A Filosofia da Arte, Introdução à Filosofia, Paradoxos Sociológicos – desenvolveu um raciocínio lógico bastante original, mas que não teve continuidade por não ter produzido discípulos que dessem continuidade ao labor do mestre.

Foi tradutor notável de diversas obras directamente do grego, do alemão e do francês. Fez igualmente traduções do português para o francês.

Quando da sua candidatura à presidência da república, Humberto Delgado convidou Vieira de Almeida para mandatário nacional. “É muito simples: concordei porque é preciso derrubar Salazar. Esse é o meu objectivo, independentemente de tudo o resto”.

A 16 de Junho de 1958, a PIDE deteve António Sérgio (75 anos), Jaime Cortesão (74), Mário de Azevedo Gomes (73) e Vieira de Almeida (70), os organizadores da campanha de Delgado.

Em Novembro de 1958, Vieira de Almeida, António Sérgio, Jaime Cortesão e Azevedo Gomes convidaram o britânico Aneurin Bevan, ex-secretário-geral do Partido Trabalhista e ex-ministro, e o francês Pierre Mendès-France, ex-primeiro-ministro, a participarem numa conferência a realizar no nosso país. Como facilmente se compreende, a conferência foi proibida.

Acusados de subversivos por protestarem através de abaixo-assinados a decisão do Governo, viriam a ser “visitados“ a 22 de Novembro, por inspectores da PIDE, sendo Vieira de Almeida preso pela segunda vez. Vasco Vieira de Almeida que ocorreu em defesa do pai, enfrentou os inspectores da PIDE, facto que o levou à prisão, sendo libertado ao fim de quinze dias.

Francisco Vieira de Almeida foi agraciado, a título póstumo, com a condecoração de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, em 1987.

Em 2017, foi homenageado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde foi descerrado um busto, e condecorado pelo PR, a título póstumo, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública, tendo recebido as insígnias o seu filho, o advogado antifascista Vasco Vieira de Almeida. Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa, ao condecorarem Vieira de Almeida, prestaram-lhe um reconhecimento há muito devido.

 

 

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