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Palestra de António Salvado consagrada à poesia de três mulheres

“Já leram a poesia da Marquesa de Alorna, de Catarina de Lencastre e de Francisca de Paula Possolo?” – Palestra por António Salvado.

Teve lugar no dia 03 de Dezembro a anunciada palestra – recital proferida pelo professor António Salvado e consagrada à poesia de três mulheres – poetas do Século XVIII: Leonor de Almeida (a futura Marquesa de Alorna), Catarina de Lencastre e Francisca de Paula Possolo, as três consideradas pelos historiadores da poesia portuguesa como anunciadores de novas e originais tendências poéticas e, como tal, consideradas como pré-românticas.

Irmanadas embora por coordenadas de marcada novidade poética, aceitando ainda laivos de um neo-classicismo a dimensionar o Século XVIII, as três mulheres – poetas em estudo revelam sem dúvida tónicas pré-românticas, não deixando porém cada uma de se notabilizar por definida diferenciação, não apenas pelas experiências vividas no seu itinerário biográfico, mas também pela cultura romântica adquirida oportunamente, nos contactos com literaturas de além – Pirenéus. Procuremos, embora em resumo, caracterizar, no conjunto, a obra de cada uma delas.

A Marquesa de Alorna (que conheceu um retiro forçado pelo facto da família ter sido considerada culpada pelo atentado ao Rei Dom José I) beneficiou da sua estadia em Viena e em Londres para se inteirar do que, culturalmente romântico, se passava pela Europa.

Isso não impediu, porém, que a poetisa fosse leitora de autores da Antiguidade Clássica e Renascentistas, da Bíblia (os salmos) e de autores cristãos (Santa Teresa de Jesus, da qual traduziu versos).

Mas, nos valores puramente intrínsecos, salientemos as tónicas por vezes tão magoadas, frutos das tais experiências vividas ou cenários nocturnos, a presença da solidão e do silêncio – elementos daquelas vivências.

E ainda o ardor cheio de expressividade aliado à resignação, tudo a brotar dos mais recônditos da alma e que a poesia com admirável mestria soube levar para os seus versos.

Por sua vez, Catarina de Lencastre, beneficiando também de estadias em países de além – Pirenéus, é cantora da liberdade, escreve sonetos a mártires por causa desta e adere ao liberalismo.

Como poetisa, a sua obra testemunha a luta entre a razão e o sentimento, uma apreciável força emocional, delicadeza rítmica, ao mesmo tempo que exemplifica uma certa consciência irracional dos próprios sentimentos que o romantismo tornará lei.

Finalmente, Francisca de Paula Possolo, novelista, dramaturga, poeta e tradutora, é como poeta que a sua actividade intelectual merece, sem dúvida, atenção.

As suas melhores composições sensibilizaram pela sua tonalidade sentimental, pelo seu inconformismo amoroso pelo seu cunho de sincera revelação de intimismo doloroso – parcelas de um talento que sabe fugir sempre à mera teatralidade.

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