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Covid-19/Um ano: Política adaptou-se, com tréguas e uma campanha eleitoral quase sem povo

A política portuguesa adaptou-se à anormalidade dos tempos de pandemia, viveu curtas tréguas em 2020, mas o estado de emergência não impediu as presidenciais no calendário habitual, com campanha ‘on-line’ e quase sem povo na rua.

No último ano, a covid-19 fez mais de 16.000 mortos em Portugal, afastou e fechou famílias inteiras em casa, pôs máscaras na cara dos portugueses, esvaziou ruas, encerrou escolas, lojas, restaurantes, pôs os aviões no chão, “matou” o turismo e abriu uma crise económica e social.

Os políticos adaptaram-se a este cenário novo e continuam a entrar diariamente, pela televisão, na casa dos portugueses, que se habituaram a termos como videoconferência, Zoom ou Skype.

O momento mais original desta política à distância aconteceu na apresentação de cumprimentos do Governo ao Presidente da República, em dezembro. Apesar de estar em isolamento profilático na residência oficial de São Bento, por ter estado com o presidente francês, Emmanuel Mácron, António Costa “esteve” no Palácio de Belém através de um ecrã grande, aparecendo a cores e em tamanho natural.

Durante meses, e apesar de dois confinamentos gerais, mais respeitado em março e abril de 2020 do que o que está em vigor desde janeiro, Costa apareceu quase diariamente nos media para explicar as decisões do executivo em conferências de imprensa, por vezes a desoras, pouco antes da meia-noite.

A epidemia e o distanciamento obrigaram a mudar rotinas. O conselho de ministros deixou a sua sede, na rua Prof. Gomes Teixeira, 2, para passar a reunir-se no Palácio da Ajuda, em Lisboa, o Paço Real do rei D. Luis I (1838-1889), onde as salas são maiores e mais amplas.

Durante estes 12 meses a política não parou. O parlamento, apesar da polémica quanto a um encerramento na primeira vaga da pandemia, a que o presidente da Assembleia, Ferro Rodrigues, resistiu, continuou a funcionar, em nome da normalidade democrática, embora com menos reuniões semanais e menos deputados no hemiciclo.

Durante semanas, a ordem do dia foi dominada pelo debate e votação de leis para combater a crise, económica e social, provocada pela pandemia de covid-19.

E foi também no parlamento que se viu o efeito das tréguas que, durante algumas semanas, atravessaram a política portuguesa, levando os partidos da oposição a calarem críticas e a estarem ao lado do Governo a aprovar leis para fazer face à crise. Ou do seu desgaste, à medida que a oposição foi escalando nas críticas.

O primeiro estado de emergência – estado de exceção que já não era decretado desde 1975, devido às movimentações militares do 25 de Novembro – foi aprovado sem votos contra, em 18 de março de 2020, entrando em vigor no dia seguinte e prevendo o confinamento obrigatório e restrições à circulação na via pública em Portugal continental.

Dessa primeira vez, votaram a favor o PS, PSD, PSD, CDS-PP, BE, PAN e Chega. PCP, Verdes, Iniciativa Liberal e a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira (ex-Livre) optaram pela abstenção.

Na quinta-feira, passado quase um ano sobre o início da crise pandémica, o parlamento aprovou o 12.º diploma do estado de emergência que Marcelo Rebelo de Sousa submeteu para autorização no atual contexto de pandemia de covid-19, mas o apoio diminuiu. Votaram a favor PS, PSD, CDS-PP, PAN e a deputada não-inscrita Cristina Rodrigues (ex-PAN), o BE voltou a abster-se e PCP, PEV, Chega, Iniciativa Liberal e Katar Moreira votaram contra.

Da convergência às divisões, o debate e a negociação do orçamento suplementar, para fazer face às despesas com o surto epidémico, já espelharam o fim das tréguas, à esquerda e à direita.

Em 03 de julho, o PS ficou sozinho no voto a favor do orçamento, com PCP, PEV, CDS, Chega e Iniciativa Liberal a votar contra, enquanto PSD, BE e PAN optaram pela abstenção.

Passados alguns meses, em novembro, para o Orçamento do Estado de 2021, foram PCP, PEV, PAN e as duas deputadas não inscritas quem se absteve para viabilizar as contas, enquanto do lado do “não” estiveram PSD, BE, CDS, Chega e Iniciativa Liberal.

Polémica foi a realização do congresso presencial do PCP, em novembro, embora com menos delegados, num pavilhão de Loures, numa conjuntura em que todos os partidos optaram por adiar as suas reuniões magnas, para este ano, ou fazendo as reuniões habituais por videoconferência.

Mais uma originalidade, em tempos de pandemia, foi a campanha para as eleições presidenciais de janeiro, que deram a vitória a Marcelo Rebelo de Sousa, e cujo adiamento chegou a ser ponderado.

Como o estado de emergência não impede a atividade política, os candidatos fizeram algumas acções na rua – com muito pouco gente – e, por isso, transferiram o contacto com os eleitores para encontros “on-line”, por videoconferência, depois de uma maratona de debates a dois que tiveram audiências recorde.

Apesar de receios quanto à abstenção, e de medidas que permitiram o voto antecipado de milhares de pessoas, incluindo doentes de covid, registou-se uma taxa recorde (60,5%), embora abaixo dos cenários mais graves admitidos por especialistas.

Para a rotina de políticos e jornalistas entrou também uma nova forma de comunicação: os vídeo-comunicados, de partidos, ministros ou parceiros sociais.

Os dois primeiros casos de pessoas infetadas em Portugal com o novo coronavírus foram anunciados em 02 de março de 2020, enquanto a primeira morte foi comunicada ao país em 16 de março. No mundo, a doença já provocou, pelo menos, 2,5 milhões de mortos, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

*LUSA

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